Saturday, April 08, 2006

pergunte ao pó














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Meu conselho a todos os escritores novos é completamente simples. Eu adverti-los-ia: Nunca fuja de uma experiência nova. Eu incitá-los-ia a viver a vida cruamente, para atacá-la com bravura, para atacá-la com punhos despidos.
Arturo Bandini
(Pergunte ao Pó – John Fante)


Arturo Bandini, sempre com uma revista verde embaixo do braço - a American Mercury - para quem conseguiu vender um único conto. Este homem que toca acidentalmente as moças e desculpa-se, depois passa horas infindas imaginando-as a heroína de seu grande livro. As cores do luminoso do hotel em frente jogando cores em sua cama, ele batucando sua velha máquina, até o dia em que entra naquele café, até o dia em que Camilla Lopez se aproxima, com as sandálias de couro e a flor vermelha nos cabelos, com sua mexicana beleza entrando pela sua respiração, dominando Arturo.
Arturo do lado de fora do café vê seus poemas lidos entre risos para Sam, o Bartender que Camilla ama. Que não ama Camilla, pois ele – the american boy – não amaria uma menina da raça inferior, mexicana. Bandini e Camilla, o mar, Arturo e Camilla ao luar, nus enlaçados em uma manta, esquecidos do desejo. Camilla a menina rejeitada por Sam, que sumiu no deserto do Mojave, com o cão Pancho. Pergunte ao pó, o livro de John Fante, que seduz, e nos leva a caminhar em 1933, por Los Angeles, e que agora virou filme.
Preciso reler Pergunte ao pó. Preciso ouvir o coração de Bandini. Preciso caminhar pela noite e nadar nua ao luar, dormir enlaçada ao amor sem fazer amor. Preciso acreditar que um escritor pode e deve ser quem trafega a vida para colher o fogo, depois filtrar o fogo em noites insones... E o nosso amor sempre nos braços de outro. E o deserto sempre escondendo miragens.

Colin Farrel e Salma Hayeck estão em Ask the Dust. A dúvida é ver o filme, ou, não ver o filme. O livro que tocou tão dentro pode ser nublado por esta produção, ou não. Mas, ver o trailer e ver a câmera focalizar as sandálias de Camilla... O grito de desespero dele, ao pó que nada responde. Talvez se traduza no filme a poesia do amor de Bandini por Camilla, talvez o Mojave traga o calor, talvez magia na tela... quem
sabe?