Testamento
enterrado
À sombra do
roseiral:
Deixo meu violão para a balconista da padaria
A erva benta para a
velha do sobrado
A chaleira que chia
Villa-Lobos
Para Frei Gustavo, que
costura almas
Nas manhãs de
quarta.
O livro de poesia de Augusto dos Anjos
Para o cobrador do
expresso 022
Assinado: A menina dos olhos tristes
Chico me chamava de Carolina
Mas era só um disfarce
Sou eu a menina
Que viu o tempo passar na janela
Sem ver
O sal das rosas
Lumme Editor
