p/Clifton Giovanini
De uma ponte de suicidas
surgiu o nome do poeta
que na Ilha do Mel
filosofou com astros
e na minha sala
derramava o século XIX
- cartola e fraque
e sorriso maroto -
Sempre trazia chocolate
e uma dama à tiracolo
histórias de noites
vagando entre túmulos
(hobby à la Jorge Mautner)
e planos de rasgar o sul
nos trilhos.
Longe, escreve fumando narguilé
batucando a velha Olivetti
diante da catedral gótica.
Meu amigo medieval,
ponte de ternura rara
exilado em um lugar
onde a neve cai ao sol.
Onde ele não esquece
nosso carinho repartido.
Agora, vai descrever
as pedras da catedral
com ternura embriagada
breve, vai ultrapassar
a soleira em luz
garrafa de vinho
em uma das mãos
uma chama de vidro
no coração
e no rastro
uma primavera desfolhada.
BÁRBARA LIA