Tuesday, October 09, 2007

LA NAVE VA...

- Depois do programa da Tv Cultura Roda Viva - José Padilha, diretor do filme Tropa de Elite na roda...
Ontem no programa Roda Viva o cineasta José Padilha demonstrou que é alguém que deseja ir além do entretenimento. Levantar um debate sobre a violência que assola não só Rio e São Paulo só pode ser positivo, e já passou da hora. Pode ser que alguns vejam o Capitão Nascimento como herói, eu o vejo como um fracassado, dentro de uma instituição fracassada. A violência é o primeiro sinal de fracasso do homem, e no final, somos mesmo uma sociedade fracassada. Uma sociedade soterrada e penso que sem saída. Tudo em uma sociedade fracassada tem um efeito contrário, então Tropa de Elite é mais um combustível para incendiar ainda mais as guerras das facções, a corrupção e o pior - a ausência total da lei. Consta que não há pena de morte no Brasil. Assim como constam muitas coisas na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos que são totalmente ignoradas. Vendo ontem o debate lembrei Gandhi - olho por olho e o mundo acabará cego.
As ações do Bope - no filme - demonstram que quem mora no morro já está devidamente condenado, julgado sumariamente, sem nenhuma dúvida. E neste instante sinto um gelo na alma - Como mudar este panorama? Dar aos moradores dos morros e das periferias o direito de ser gente, cidadãos, sem julgamento prévio?
Rousseau disse que a propriedade privada nasceu com o primeiro homem que colocou a primeira cerca ao redor de sua casa... Assim como os mandatários do morro nasceram com o primeiro traficante que se julgou dono do pedaço. Depois do primeiro passo, não há mais volta. E ao redor o consentimento institucionalizando o que poderia e deveria ser questionado... Mas, se um homem pré-histórico decidiu um dia tomar posse de um pedaço de terra, e um marginal olhou a redor e decidiu que ali ele seria a lei, o passo errado termina em uma procissão de erros. Mas, muitas teses e mestrados e doutorados vão dissecar de forma brilhante os motivos, sem resolver nunca o drama das favelas. Os policiais continuarão em suas noites de purgatório entre a cruz e a espada. Os viciados continuarão alimentando o tráfico... Uma roda viva, hecatombe de uma humanidade que esqueceu a felicidade pendurada atrás da porta e saiu a procurá-la em endereços que ela nunca visitou, em casas que ela nunca morou.