Wednesday, November 21, 2007

A PELE


























Em pouco tempo vou me afogar, sem sequer estar nadando…

Fur – An Imaginary Portrait Of Diane Arbus, EUA, 2.006.
(Nicole Kidman, Robert Downey Jr, Harry Yullin)
Direção Steven Shainberg.
Inspirado no livro de Patrícia Boswhorts – Diane Arbus, uma biografia.

Diane Arbus é assistente do marido fotógrafo Allan Arbus quando Lionel muda-se para o andar de cima e a atrai, mosca no mel. O vizinho que tem a pele recoberta de pelos. O olhar dela desvenda o bizarro. A lente do olho que segue e enquadra antes da lente da câmera. O filme não é a biografia fiel da fotógrafa, é um passeio por seu imaginário. Embora tenha lido críticas desfavoráveis é o tipo de filme que me captura. Tem a coragem de mostrar alguém que vive o estranhamento de si mesmo. O estranhamento do outro. O outro, por quem ela se apaixona, acaba contornando as arestas da estranheza da mulher, raptando-a para um mundo onde ela se enquadra. Uma vez que ela não se enquadra no glamour de filha de milionário, esposa americana perfeita dos anos cinqüenta. Amo Robert Downey Jr. Sua fragilidade sempre me comove. O olhar triste que ele não consegue despir em nenhum filme cai como luva na pele neste filme. No Brasil o filme tem este título – A Pele. Personagem instigante Diane. O filme não mostra o suicídio dela aos 48 anos. O filme narra apenas o encontro dela com o homem que se cobre e se esconde e que ela desnuda para poder amar, e depois o liberta nas ondas do mar, enquanto ela se liberta para clicar o inusitado, o bizarro, o que incomoda.