Friday, July 03, 2026

Entre a Ternura e a Vertigem o Amor encontra a sua casa. Ou, o Amor em dois tempos.

 






Sou Poeta. As “antenas da raça” desabam antes que o raio penetre, pela extremada sensibilidade. Antecipam. Sou dos “antecipados”. Dos que atrapalham a trama das estrelas. Fulminada, sempre. Meus poemas são perguntas, imaginação, projeção.

Devo escrever sobre os meus “raios passionais”? Não as paixões que vivi depois que me assumi poeta, mas a memória de uma garota que queria ter um único amor (foi o que pedi à estrela Vésper ainda menina-moça e poeta sem saber). No meu primeiro romance publicado (Solidão Calcinada), eu dei meu nome à jornalista que narra a vida das ancestrais. A Bárbara do livro encontra o homem de sua vida ainda no colégio, o pai dela é um guerrilheiro que desaparece nas brumas da ditadura militar, a mãe morre no cárcere. Na vida real sou filha de um radical de direita que foi Integralista, é o drama íntimo. Mas foi quem me apresentou poemas desde o berço, foi quem me falou sobre Liberdade, Poesia e admirava a minha inteligência. A Bárbara do livro é jornalista, meu segundo desejo. O primeiro sempre foi - ser escritora. Ao contrário do sonho da garota que seguia pelas ruas marrons rumo ao colégio a dialogar com a estrela Vésper, vivi muitas paixões. Talvez nunca escreva relatos de autoficção inspirados na realidade, talvez apenas os oitocentos poemas de amor fiquem como - instantâneos - fotografias que registram o quanto sou passional. E, por ser contraditória, sou essencialmente platônica. 

Dois momentos levam uma poeta de setenta anos a meditar sobre o Amor. Um casal russo real. Um menino russo (ficção) que ama ao primeiro olhar um rival das pistas. O rival disfarça menos (ele também se enamorou). Eles conseguiram amolecer corações pelo mundo inteiro.

É isto: nos últimos dias a ficção e a realidade derreteram meu coração cansado.

Ainda estou na casa de campo. Dizem os fãs da série "Heated Rivalry".

I’m going to the cottage. (Spoiler). Disse o menino russo ao telefone quando o amor venceu a batalha e ele escolheu – ficar ao lado. Fiquei pensando na razão de uma série sobre dois jogadores de hóquei encantar tantas pessoas pelo mundo. Pequenas frases, a forma como eles se descobriram ao abrir as portas para o desejo. O consentimento. Ter certeza de que não ultrapassa linhas, que não invade o outro. Sem desafinar. Numa dança. Uma ternura rasgada, erotismo doce, jamais pornografia. A certa altura Ilya confessa que - amou ao primeiro olhar. Isso fez um rude menino russo cheio de traumas, adoçar olhar e voz e gestos diante do rival. E ele faz como deve ser a postura dos homens pelo mundo. Ele pergunta. Ele pede consentimento. Beleza é o nome que a gente dá a tudo que é Poesia. Sem Poesia não é possível deitar ao lado, beijar nenhum lábio, sentir Amor.  Por isso muitos não querem deixar – a casa de campo.

É possível que o amor seja o “stupid canadian wofbird” que assusta Ilya na noite, diante da fogueira ,e leva Shane a tranquilizá-lo. É só um pássaro. Um mergulhão. Às vezes é preciso que o amado diga que o amor é leveza, é só um pássaro, com um canto que assusta. E não um lobo na escuridão.

Ainda estou na casa de campo.

 





O casal de escaladores que alça ao topo do Empire State eclipsou dois momentos: a copa do mundo e o casamento de Taylor Swift. Absolute Cinema.

Eu assisti ao documentário “Skywalkers – uma história de amor” e lembrei a audácia da dupla quando as imagens começaram a aparecer no meu Instagram. Cena linda e estonteando. Vertigem. O que eles nos trazem é a vertigem da vida, é a coragem de quem – caminha no céu.

O encontro de duas pessoas predestinadas a dizer algo ao mundo. Sensíveis como todos os artistas, alçaram seus corpos ao único lugar onde viver era possível, por acaso da vida, ambos russos, ambos prontos para amarem-se. Angela viu sua mãe – trapezista de circo – abandonar os sonhos quando o casamento acabou. Aquele homem com quem voava sem redes em trapézios deixou de ser parte de sua vida e ela desabou. Criada como futura acrobata, Angela tem as ferramentas, seu corpo de ginasta pode contorcer-se entre ferros de prédios e antenas em qualquer lugar do mundo. Ela decide não terminar seus dias como sua mãe. Ivan Beerkus descobriu que subir em altos prédios o ajudava a encontrar o ar. Fugindo do ambiente sufocante de sua casa ele virou um escalador, cada vez mais alto, cada dia mais reconhecido como alguém que tem um diferencial. Ambos foram atraídos um ao outro. A única garota que ousava realizar performances nas alturas. O homem magro e corajoso que aprendeu que existe um lugar onde é possível respirar. O documentário é lindo. A travessia de ambos entre as escarpas e as armadilhas do amor. A insubmissão de uma garota corajosa que colide com o desejo dele de proteger quem ama. O capítulo inicial é mais potente que uma subida em uma antena em Nova Iorque.

Eles tentaram dizer ao mundo que o mais importante é o Amor e a Paz no Mundo. Cá estamos com vertigem, com o coração aquecido, e é doce saber que há tantos anos eles “caminham no céu”, literalmente. A coragem nas veias, o amor ao lado.                                                                                                                                                                                                                                                             "O Amor é como a altura. O medo nunca passa. Você só aprende a encará-lo melhor". Angela Nicolau.         

"Heated Rivalry"

#AngelaNicolau

#IvanBeerkus

#ConnorStorrie

#HudsonWilliams

#Amor

#Peaceintheworld

La nave va...

Entre a Ternura e a Vertigem o Amor encontra a sua casa. Ou, o Amor em dois tempos.

  Sou Poeta. As “antenas da raça” desabam antes que o raio penetre, pela extremada sensibilidade. Antecipam. Sou dos “antecipados”. Dos que ...