Sunday, November 13, 2005

rua das flores n°infinito

















Celso Lobo



RUA DAS FLORES, Nº INFINITO


Rua das Flores, a rua de pedestres no centro de Curitiba. Calçadas de pedra, luminárias que lembram o século XVIII, casarões, canteiros de flores. Gosto dela quando está vazia, e isto só acontece aos domingos, em feriados, e na madrugada. A última vez que atravessei a Rua XV de madrugada, caiu um dilúvio, fiquei molhada até à alma. Eu estava lavando o passado, e estava vendo o novo surgir, e isto exigia um batismo. Tenho uma ligação sublime com a Rua XV...

http://www.cronopios.com.br/site/colunistas.asp?id=744

CAROLINA SAIU DA JANELA

Quando Chico Buarque escreveu esta bela canção – Carolina – ele já estava achando muito estranho, nos anos rebeldes, enquanto algumas mulheres estavam queimando sutiãs na Europa, usando biquínis aqui no Brasil, exibindo belas barrigas grávidas na praia, tomando as rédeas de seus destinos, belas, com suas batas hippies, inaugurando o tempo do girassol nos cabelos e das cores das bandeiras da paz, bem como das revoluções – ainda existia a Carolina, lá estava ela, vendo o tempo passar na janela, com seus olhos tristes, (a)guardando um amor que “já não existe”.
Chico Buarque, intérprete do âmago das almas nossas, não à toa, ícone, ídolo, pois faz poesia com a rotina, colore as notas musicais, as partituras de uma filosofia clara e cálida como quem vai decifrando auras, almas, corações e segredos femininos.
Muitas décadas depois, penso que Carolina saiu da janela.
Não?!
Ainda existe quem se coloque diante de uma janela por um amor que já não existe e fique vendo a vida passar?...
Como sempre há o resquício do tempo, há resquícios ainda da Idade Média, mas, um grande exército saiu da janela. Quase todas, certamente. Não há como viver sem seguir o ritmo do tempo...