Friday, October 29, 2010

Minhas Poesias Preferidas I

Vou publicar os poemas que tocaram profundamente. As palavras que eu gostaria de ter escrito. Uma pequena seleção que eu guardo com cuidado e que vez por outra retorna. Com a certeza que até o fim de mim, devo gravar meu canto, à revelia de tudo e com toda força e encanto.
A tradução desta poesia que mais gosto é mesmo esta do Paulo Henriques Brito.



UMA ARTE


A arte de perder não é nenhum mistério
tantas coisas contém em si o acidente
de perdê-las, que perder não é nada sério.

 
Perca um pouco a cada dia. Aceite austero,
a chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.

 
Depois perca mais rápido, com mais critério:
lugares, nomes, a escala subseqüente
da viagem não feita. Nada disso é sério.

 
Perdi o relógio de mamãe. Ah! E nem quero
lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.


Perdi duas cidades lindas. Um império
que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles. Mas não é nada sério.

 
Mesmo perder você (a voz, o ar etéreo, que eu amo)
não muda nada. Pois é evidente
que a arte de perder não chega a ser um mistério
por muito que pareça (escreve) muito sério.



Elizabeth Bishop
tradução de Paulo Henriques Brito






Elizabeth Bishop (Worcester, 8 de fevereiro de 1911 - 6 de outubro de 1979) é uma autora americana, considerada um das mais importantes poetas do século XX a escrever na língua inglesa
http://pt.wikipedia.org/wiki/Elizabeth_Bishop