O POETA MORRERÁ!
O poeta morrerá
Às dezoito horas
De um dia fora do tempo
- Sem aviso -
O poeta morrerá
Em cada manhã de caos
De pão saturado de suor
De ruas saturadas de rancor
O poeta morrerá
Meio ao comercial
Da loja de colchões
O poeta morrerá -
Uma Pietá a amparar
Suas asas quebradas -
Na penumbra dos umbrais
O poeta morreu
Poe Orpheu
(E corvos tão iguais nos beirais)
Bárbara Lia
Cigarras no Apocalipse
21 gramas/2010