Saturday, May 17, 2014

O Alienista



Patricia Secco está confusa sobre os hábitos de leitura. A primeira fala dela depois da reação de muitos autores à sua "facilitação de Machado" foi um paralelo entre pobreza e ignorância. Cara Patrícia, minha infância foi pobre, pobre. Minha cidade era um pequeno vilarejo no tempo em que as pessoas ainda não tinham televisão. No entanto, passei a infância com acesso a Machado e todos eles. Na sala da minha avó havia uma pequena estante com muitos exemplares de autores nacionais. Os que não couberam na estante do meu avô em sua pequena biblioteca e escritório de advogado. Lembro disto na casa da minha avó, de ao arrastar a cadeira e virar-me para sair da mesa do café da manhã, dar de cara com - a mão e a luva - e - cinco minutos - achava muito interessantes estes títulos. Meu pai era menos organizado, vivia nas esferas. Lembro que depois de ver tanto livro espalhado pela casa, quando tive um emprego, mandei fazer uma estante clara onde organizamos seus livros. As coleções que ele gostava de ler, livros antigos de álgebra e clássicos como - Jerusalém Libertada. Poesia escorrendo pela vida. E eu era a filha do agrimensor. Sei que muitos vem de uma estirpe sem acesso, mas, não os veja como ignorantes por isto. Eles trazem uma centelha de sapiência nata. O homem rude e simples, este é o sábio. Acredite. Então, como se explica a poesia e a filosofia dos cantores de rap? Pobreza não tem nada a ver com falta de inteligência. Algumas pessoas se tornam doutores e estudam muito para assimilar o que uma mente brilhante consegue, sem as teorias, academicismos e etc. Quando fui ao Rio para o lançamento de "Amar, verbo atemporal" passei algumas horas de ócio no Santos Dumont antes de embarcar e voltar para casa. Na Livraria do Aeroporto um exemplar de - 50 tons de cinza - naquela fase em que todo mundo ficava - também - com vontade de dizer sobre o quão o texto pobre não deve ser propalado. Então, eu parei alguns minutos e conversei com a vendedora da livraria. Ela conhecia Henry Miller e Anais, e ela concordou que aquele livro era puro comércio. Quero pensar que existe realmente uma ótima intenção nesta tua empreitada. Quanto aos que vivem com o desejo de que o idioma siga rico e sem - simplificações - pense neles como a voz de Machado neste tempo. Então, ele é o criador. Só ao criador cabe decidir sobre sua criação... Ou não?

Link para o abaixo-assinado na tentativa agora de impedir a distribuição destes livros. Este e o de José de Alencar... Que o MinC analise e o faça, em reverência aos autores, aos que não estão aqui. Aos que aqui estão e decidiram "falar em nome de Machado", pois quem quer ler bruxo simplificado, que leia Harry Porter.


https://secure.avaaz.org/po/petition/Ministerio_da_Cultura_do_Brasil_Impecam_a_alteracao_das_palavras_originais_nas_obras_da_lingua_portuguesa/?syLGwbb