Passei uma tarde olhando a tua foto, a foto no livro. A mesma foto em todos os livros:
"Eu gostaria de poder usar um manto e uma coroa, pois “tenho para mim anseios imortais” - foi o que a Rainha Cleópatra disse depois da morte de Marco Antônio. O senhor gosta de Shakespeare? Considero Shakespeare o único livro necessário.
(...)
Parece algum aparelho de tortura sobre o qual Alexandre Dumas escreveria... Suponho que se amarre o corpo para que a alma não voe. Já observei os retratos de outras pessoas. A vida foge deles imediatamente. Nesse aparelho vou parecer morta, como a imagem de uma pessoa sem cérebro. O que é importante é ver o semblante da Alma, não os joelhos do Corpo. Foi bobagem minha vir. Mas, por favor, diga-me como posar. Não quero ser grosseira."
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Também detesto este instante e tenho sido acossada por ele vida afora. Em tudo invejo o caminho de Emily. Viver e quase passar em branco por este crivo - o rapto da alma. O moço saiu com a alma de Emily impressa nele, pensando na conversa, no Niágara de interrogações e Arte ela despejou enquanto ele a ajeitava ali: braço direito apoiado na pequena mesa, na mão esquerda um pequeno buquê e o olhar de cervo atingido por um raio. Olhar de animal rebelde. Ele deduziu, ao ser acossado por tão imensa paixão e por tudo, que entre tantas meninas vitorianas, ela seria, talvez, a única capaz de amar um homem... E que não se admiraria se o nome dela brilhasse diante do mundo.
(o sal da primeira onda)
O texto entre aspas é do livro "Nunca lhe apareci de branco" - de Judite Farr
