Friday, April 17, 2015

sobre poemas de amor...

Luiz César / Bárbara Lia (1981)

Escrevi um poema. Vou guardar e não vou publicar agora, pela incrível coincidência de levar o título de um livro enviado a um concurso. O poema título nasceu depois. Acontece. Não estou naquela fase de derramamento de versos. Eles ficam espaçados. Escondidos durante este processo que me rouba do lírico: Mudança, coisas palpáveis, áridas. Não sou prática, mas muito na minha vida ficou mais brando com estes filhos que colocam o trem nos trilhos. Qualquer dia largo o poema escrito e fico só com a concretude da vida e do poema/dia. As horas poéticas que não sei dizer. Eles (filhos/neto) estão em um patamar sagrado, tão alto que até agora só disse em um poema destes filhos incríveis, e fico sem narrar. Sei que não direi palavras ao - grande amor. Nunca escrevi poemas ao meu ex-marido, ou cartas de amor. Ele reclamou disto, um dia, ao encontrar uma carta (não enviada) em um caderno do tempo da Universidade (todas as cartas de amor são ridículas). Depois da morte dele, eu estava pensando na nossa vida no tempo que dividimos uma história, e na mesma hora minha filha ligou, ela estava na estrada com a família dela e disse: - Mãe tá vendo o eclipse da lua? Sai na sacada pra ver e escrevi um poema ao pai dos meus filhos: Tarde demais para dedicar uma poesia. Ele já havia morrido e nunca soube, mas, eu sou assim... Estes poemas de amor que fazem crer que foram para grandes amores meus... Foram apenas acertos, eu e meu coração, interrogações, desejo de entender. Não há poemas para os amados essenciais... Ou quiçá, um dia, por ora é tudo desejo e reparação...