Tuesday, February 07, 2012
Monday, February 06, 2012
Morena dos olhos d'água
Morena, dos olhos d'água,
Tira os seus olhos do mar.
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar.
(Chico Buarque)
Volver a los 17 - Campo Mourão (PR)
Nos bailes da vida, Coca Cola na mesa. Clube 10 de Outubro - Campo Mourão - A garota ao meu lado é a Teka, esqueci o nome do cavalheiro...
Tira os seus olhos do mar.
Vem ver que a vida ainda vale
O sorriso que eu tenho
Pra lhe dar.
(Chico Buarque)
Volver a los 17 - Campo Mourão (PR)
Nos bailes da vida, Coca Cola na mesa. Clube 10 de Outubro - Campo Mourão - A garota ao meu lado é a Teka, esqueci o nome do cavalheiro...
Praia do Conde - Bahia - 1981
a flor dentro da árvore
“Uma migalha de mim”
Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que qualquer mão
Atravessa
Teço
Um ego-vidraça
Para que enxergues
Meu Eu
Teço
Uma nuvem lassa
Cortina que qualquer mão
Atravessa
Teço
Um hímen de fumaça
Sobre a virgem essência
- tudo o que sou Eu
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore / 2011
Saturday, February 04, 2012
Hilda Hilst
Poema V
A Federico García Lorca
Companheiro, morto desassombrado, rosácea ensolarada
quem senão eu, te cantará primeiro. Quem senão eu
pontilhada de chagas, eu que tanto te amei, eu
que bebi na tua boca a fúria de umas águas
eu, que mastiguei tuas conquistas e que depois chorei
porque dizias: “amor de mis entrañas, viva muerte”.
Ah! Se soubesses como ficou difícil a Poesia.
Triste garganta o nosso tempo, TRISTE TRISTE.
E mais um tempo, nem será lícito ao poeta ter memória
e cantar de repente: “os arados van e vên
dende a Santiago a Belén”.
Os cardos, companheiro, a aspereza, o luto
a tua morte outra vez, a nossa morte, assim o mundo:
deglutindo a palavra cada vez e cada vez mais fundo.
Que dor de te saber tão morto. Alguns dirão:
Mas se está vivo, não vês? Está vivo! Se todos o celebram
Se tu cantas! ESTÁS MORTO. Sabes por quê?
"El passado se pone
su coraza de hierro
y tapa sus oídos
con algodón del viento.
Nunca podrá arrancársele
un secreto.”
E o futuro é de sangue, de aço, de vaidade. E vermelhos
azuis, braços e amarelos hão de gritar: morte aos poetas!
Morte a todos aqueles de lúcidas artérias, tatuados
de infância, de plexo aberto, exposto aos lobos. Irmão.
Companheiro. Que dor de te saber tão morto.
Hilda Hilst in "Poemas aos homens de nosso tempo”, Ed. Globo, São Paulo - 2003
Friday, February 03, 2012
Deus guarde o lobo atrás do qual nenhum cão corre latindo - Ted Hughes
Sylvia in Paris, 1956
(Gordon Lameyer)"
Lá você o achou - o mistério do ódio.
Após bilhões de anos na matéria anônima.
Lá você foi achada e logo odiada.
Você tentou tanto alcançar essas pessoas, tocá-las, dar-se a elas -
Tal como suas primeiras palavras na infância,
Quando você corria para cada visita que entrava
E abraçava-lhe as pernas, dizendo: "Meu amor! Meu amor!"
Tal como você dançava para seu pai
Na casa da raiva - dando sua vida
Para adoçar-lhe a morte lenta e misturar-se a ela
Quando ele jazia no sofá, sobre as almofadas,
Açucarando-lhe o amargor da morte fera.
Você buscou a si para seguir se dando
Como se após o ocaso da morte dele
Você continuasse a dançar na casa escura,
Aos oito anos, coberta de ouropéis.
Buscando-se a si própria no escuro, a dançar,
Desajeitada, chorando baixinho,
Como quem procura um afogado
Em água escura,
E tenta ouvir-lhe a voz - com pavor de perder
Alguns segundos de busca no esforço de escutar -
Depois dançando com mais fúria no silêncio.
Os acadêmicos levantaram as cabeças. Pelo visto
Você estava perturbando uma perfeição
Recém-obtida, que eles seguravam com cuidado,
Inteira, até a cola secar. E como quem
Denuncia um crime à polícia,
Informaram-lhe que você não era John Donne;
Isso não lhe importa mais. E os nomes, você ainda lembra deles?
Fizeram questão de lhe deixar claro, a cada dia,
Que desprezavam toda tentativa sua,
E injetavam a bílis deles no seu café matinal,
Como se fosse remédio. Até assinavam
Suas cartas homeopáticas,
Envelopes com vidro cuidadosamente moído
Para pôr atrás de seus olhos e fazê-la ver
Que ninguém queria o seu brilho estranho - sua vida
Desajeitada, a se afogar, e seus esforços para salvar-se.
Nadando em pé, dançando o caos escuro,
Procurando algo para dar -
Tudo o que você achava
Eles bombardeavam com farpas,
Escárnio, lodo - O mistério desse ódio.
TED HUGHES
Cartas de Aniversário
Ed Record
Tradução - Paulo Henriques Brito
Wednesday, February 01, 2012
Melancholia II
melancholia (lars von trier)
esta tristeza vaga profunda e permanente
esta música persistente - Nona Sinfonia
rasga meu coração ouço acre odor podre
do teu adeus lavo-me com bucha vegetal
sabonete de lavanda para espantar a fria
carnadura de dor das minhas entranhas
anseio ir viver em um antro de gueixas
onde um velho cultua uma espada fria
para transpassar tua alma – cimabaixo –
e nadar nas águas tuas de dentro – nua -
o meu canto é negro, denso e triste, nada
vai alterar esta caótica visagem – esfuma
a cada giro das asas do temível beija-flor
Bárbara Lia
2011
Monday, January 30, 2012
A reinvenção de Bárbara Lia: não vim quebrar as pernas do sol - Sidnei Schneider
O poeta Sidnei Schneider publicou em seu blog - Umbigo do Lago - o prefácio do meu mais recente livro de poesias - A flor dentro da árvore. Link para a leitura:
http://umbigodolago.blogspot.com/
http://umbigodolago.blogspot.com/
Sidnei Schneider é poeta, tradutor e contista. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999) e tradutor de Versos Singelos/José Martí (SBS, 1997). Participa de Poesia Sempre (Biblioteca Nacional/MinC, 2001), Antologia do Sul (Assembléia Legislativa, 2001), O Melhor da Festa 1 e 2 (Nova Roma, 2009; Casa Verde, 2010) e de outras dez publicações. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995, de um total de treze premiações. Publicou artigos, poemas, contos e traduções de poesia em jornais e revistas. Participa do projeto ArteSesc e é membro da Associação Gaúcha de Escritores.
Cá estou: O afrodisíaco das almas enferrujadas. Cá estou o amigo dos livres e das mulheres sem cinto de castidade. Cá estou o simples. O simples mais simples. Puro como a gota clara na rosa. Puro como todas as gotas jorradas nos espasmos gloriosos. Cá estou como uma criança inofensiva. Cá estou eu, o desejo. Eros puro caminhando sem sapatos. Eros puro roçando as paredes de todas as casas e sendo enxotado para que o mundo não abrace o simples. O simples desejo...
(...)
E como explicar o desejo?A flor que se abre – à revelia-
Sôfrega, desvairada, atônita
Tudo se reparte
Em crisálidas mirabolantes
Parindo estrelas adormecidas
Aos borbotões
Até secar o sol
Bárbara Lia
Bárbara Lia
série - livros artesanais - 21 gramas
Tuesday, January 24, 2012
Ressurreição
(khepra - escaravelho sagrado, símbolo de ressurreição no antigo Egito)
Khepra ancorou na sala – Negro nó
Com sua escaramuça tecida de filó
Escura escarpa no túmulo de Faraó
- Ressuscita! Ele diz. Largue sem dó
A túnica da Letargia – Mova o Sol!
Longe da maldição da lenda da avó
Triture grão da dor na metafísica Mó
Poderosa Poesia nunca te deixará Só
Ainda que tudo volte – um dia – ao Pó.
BÁRBARA LIA
Monday, January 23, 2012
Thursday, January 19, 2012
Eunice & Berenice
a máscara
às vezes,´
pode ser pessoa-verdade
o grau de loucura
às vezes,
pode ser o grão do amor
Berenice Sica Lamas
pg. 33 - Copo de Violetas (ALF/2011)
O ensaio da psicóloga e escritora Berenice Sica Lamas traz uma reflexão sobre o fenômeno do duplo abordado pelo pensamento de vários autores, tecido com clareza e apresentado em uma linguagem sedutora que estimula a leitura de maneira prazerosa. (Eloá Muniz) - fragmento da orelha do livro
*****************************************************************
(...)
São textos voltados para o existencial, com suas precariedades, contrastes e fragilidades da vida, no seu sentido totalizante. Eis porque não se detém em simples exposições de pequenos dramas, que são, inversamente, a veia jugular dos grandes dramas. Fosse só isso e já diria muito.
(...)
Sem perder de vista a realidade vai do mágico, ao fantástico, ao alegórico, em flexibilidade surpreendente, como se tudo viesse e acontecesse - como acente e vem - em personalíssima simplicidade narrativa, dom sensível dos bons ficcionistas e negação da facilidade.
(...)
Fragmentos do texto de apresentação de Caio Porfírio Carneiro, para o livro de contos de Eunice Arruda - Dias Contados (RG Editores/2009)
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Três livros que acabei de receber das poetas Berenice Sica Lamas e Eunice Arruda. Para conhecer a prosa de ambas, no ensaio de Berenice - O duplo: busca do si-mesmo e no livro de contos - Dias contados - de Eunice Arruda. Certamente uma leitura rica para acompanhar estas tardes nubladas...
Wednesday, January 18, 2012
dois quartos vazios
Quarto de Virginia Woolf in Pilgrimage (Annie Leibovitz)
Preciso voltar e olhar de novo aqueles dois quartos vazios.
(Ana Cristina Cesar)
PARA COMENZAR TODO DE NUEVO
El verano en que resucitemos tendrá un molino cerca con un chorro blanquísimo sepultado en la vena. (1969)
HÉCTOR VIEL TEMPERLEY (Argentina, 1933-1987)
HÉCTOR VIEL TEMPERLEY (Argentina, 1933-1987)
Wednesday, January 11, 2012
AS MULHERES POETAS NA LITERATURA BRASILEIRA (14)
Rubens Jardim vem publicando em sua página - As mulheres poetas na literatura brasileira.
Nesta etapa alguns poemas meus, ao lado de Alice Spíndola, Teruko Oda e Alice Ruiz...
Rubens Jardim - Poeta e Jornalista, autor de três livros de poemas: ULTIMATUM (1966), ESPELHO RISCADO (1978)e CANTARES DA PAIXÃO (2008). Promoveu e organizou o ANO JORGE DE LIMA em 1973, em comemoração aos 80 anos do nascimento do poeta, evento que contou com o apoio de Carlos Drummond de Andrade, Menotti del Pichia, Cassiano Ricardo, Raduan Nassar e outras figuras importantes da literatura do Brasil. Organizou e publicou JORGE, 8O ANOS - uma espécie de iniciação à parte menos conhecida e divulgada da obra do poeta alagoano. Integrou o movimento CATEQUESE POÉTICA, iniciado por Lindolf Bell em 1964, cujo lema era: o lugar do poeta é onde possa inquietar. O lugar do poema são todos os lugares.. Participou da I Bienal Internacional de Poesia de Brasília (2008) com poemas visuais no Museu Nacional e na Biblioteca Nacional. Participou de várias antologias nacionais e internacionais.
Tuesday, January 10, 2012
a gata por um fio
3 poesias do novo livro - A flor dentro da árvore - No site - A gata por um fio, da poeta gaúcha - Sandra Santos
Poetas convidados: Ademir Assunção, Alexandre Brito, Armindo Trevisan, Bárbara Lia, Cesar Pereira, Edson Cruz,Eduardo Tornagui,E. M. de Melo e Castro, Floriano Martins, Jurema Barreto de Souza, Lais Chaffe, Lau Siqueira, Leonardo Brasiliense, Luis Serguilha, Marcelo Morais Caetano, Marco Celso Huff... entre outros.
http://www.sandrasantos.com/poesias/Entradas/2012/1/9_Barbara_Lia.html
**
Sunday, January 08, 2012
poetas
Ingrid Jonker
O ano de 2011 chegou ao fim com mais duas estrelas no meu céu de poetas: Ingrid Jonker e Antonio José Forte. É pequeno este céu. Os grandes poetas do mundo são em menor número que as estrelas.
Talvez por isto o Céu extasie e a Terra gema entre ogivas e axés.
Ingrid Jonker é uma poeta sul-africana que cantou seu País, que amou e que antecipou seu fim. Não vi ainda o filme Black Butterflies, provavelmente não vai passar por aqui, mas, os poucos poemas que li de Ingrid levaram a colocá-la em destaque nesta galeria iluminada, as estrelas que eu olho, o lugar onde miro, distante, mas, sempre luz...
Antonio José Forte "uma das mais belas, inquietantes e poderosas vozes da poesia portuguesa contemporânea", conheci através do livro - Uma faca entre os dentes - enviado pelo meu amigo de Portugal - Chambel Santos.
Azuliante
Este poema é da Aldina
Este poema
começa com um homem de tronco nu
à sua mesa de trabalho e hiante
a esta hora em que de oriente a ocidente
se acendem lâmpadas trémulas e bárbaras e ferozes
e o mar é o teu nome a esta hora pétala a pétala
em que subirei de avião para ir beijar-te os olhos
e ver no meio do deserto o único
o magnífico devorador de rosas a comer um pão
enquanto do Oceano resta apenas
o silêncio de uma lágrima caindo nos joelhos de uma criança
Espera-me onde um nome há no Ar escrito com saliva azul
com raiva azul
como a urina violenta dos amantes
com a sua flor azul à superfície onde crepita a morte
Choverá muito eu sei choverá muito
e não porei uma pedra branca sobre o assunto digo
sobre o tremor de terra em que tu danças
na tua roda de cigarros cada vez mais depressa
cada vez mais depressa
e lento o peixe de plumas de águia letra a letra
dá a volta ao mundo dos teus olhos
enquanto a dentadura cintilante pronuncia o grande uivo
de oriente a ocidente
Certas palavras muito duras quando a noite cai
não devem ter outra origem sabes tão bem como eu
porque agora a lava das lágrimas ao crepúsculo
são as rosas com que o poeta fala
à multidão em volta do crocodilo o animal repugnante
de costas para a luz contra o grande uivo:
de oriente a ocidente a mesma flor podre o estado
segredos de estado as razões de estado a segurança do estado
o terrorismo de estado os crimes contra o estado
e o equilíbrio do terror
de oriente a ocidente meu amor de oriente a ocidente
Digo não Eu digo não
digo o teu nome que diz não
No entanto às portas da cidade e ao pé de cada árvore
à espera que tu chegues ou passes simplesmente
estão os grandes do império com o chapéu na mão
para cumprimentar-te
Então passas tu com a lua no peito
dividindo distribuindo os alimentos
passas tu devagar atirando as moedas
que os dias não aceitam e gastamos depressa
noite mil e uma noites de quem espera
Meu amor países pátrias têm todos um nome
de letras imundas que não é para escrever
Se ainda podes ouvir o búzio da infância
ouvirás com certeza o sinal de partir
No comboio multicor sobre carris ferozes e azuis
que há mil anos dá a volta ao mundo
sou eu o homem que viaja nu porque eu sou
o arco-íris e a rosa no trapézio
e tu toda a paisagem que atravesso
como se fosse de bicicleta
como se fosse sílaba a sílaba
a primeira frase sobre a terra
tu com as tuas luvas de amianto ao lado do vulcão
com a tua máscara de olhar a aurora boreal
de me olhares para sempre nua eu a tempestade
de coração a coração
Roda sórdida da razão cínica e canto de galos
depenados vivos que cantam nos intervalos da morte
no meu livro de horas deste século
está escrito que o homem livre fará o seu aparecimento
sob a forma de um cometa de cauda fascinante
que arrastará os amorosos até ao centro do mundo
donde partirão na rosa-dos-ventos e este será o sinal
António José Forte (06/02/1931 -15/12/1988)
Uma Faca nos Dentes
Prefácio de Herberto Helder
Parceria A.M. Pereira
Livraria Editora, Lda.
The Child is not dead - Ingrid Jonker (19/09/1933 - 19/07/1965)
The child is not dead
The child lifts his fists against his mother
Who shouts Afrika ! shouts the breath
Of freedom and the veld
In the locations of the cordoned heart
The child lifts his fists against his father
in the march of the generations
who shouts Afrika ! shout the breath
of righteousness and blood
in the streets of his embattled pride
The child is not dead not at Langa nor at Nyanga
not at Orlando nor at Sharpeville
nor at the police station at Philippi
where he lies with a bullet through his brain
The child is the dark shadow of the soldiers
on guard with rifles Saracens and batons
the child is present at all assemblies and law-givings
the child peers through the windows of houses and into the hearts of mothers
this child who just wanted to play in the sun at Nyanga is everywhere
the child grown to a man treks through all Africa
the child grown into a giant journeys through the whole world
Without a pass
Sunday, January 01, 2012
A flor dentro da árvore
A reinvenção de Bárbara:
não vim quebrar as pernas do sol
Se você está aqui, amigo leitor, devido ao bonito título desse novo livro da poeta e romancista Bárbara Lia, A flor dentro da árvore, saiba que a mim ele atraiu. Uma coisa dentro da outra, de múltiplos sentidos, nesse caso também define a concepção do volume. A partir da leitura da epígrafe da poeta Emily Dickinson (1830-1886), que inaugurou junto com Walt Whitman a moderna poesia norte-americana, o leitor pode desconfiar que os títulos dos poemas, sempre entre aspas, sejam versos, ramos de Emily, e se o faz, acertam em cheio.
O que nos poetas costuma ser um dos rostos do acaso, parir versos a partir de um trecho de leitura, Bárbara sistematiza, poema a poema, e com voz própria. Emily, assim, figura como uma paixão inseminadora. Não que seja a única: poetas, escritores, músicos, artistas plásticos, filósofos, seres míticos e ficcionais são citados, como se de todos a poeta e a obra necessitassem para existir.
Com voz forte e corajosa, Bárbara diz a que veio: “Não nasci para resfriar o mundo/ Neste lento cortejo de omissões/ (...) Não vim quebrar as pernas do sol/ (...) Nasci para amar sem lastro/ Para dançar no pátio/ It’s my way” (“Até que os serafins acenem com seus chapéus brancos”). E pugna pela transparência diante do outro: “Teço/ Um ego-vidraça/ Para que enxergues/ Meu Eu// Teço/ Uma nuvem lassa/ Cortina que qualquer mão/ Atravessa// Teço/ Um hímen de fumaça” (“Uma migalha de mim”).
Bárbara dá a ver como um mero sinal impacta: “Til a til emendados/ Sinuosa corda/ Negra/ Infinita// (...) Til a til retirados/ De cada não/ Que ouvi na vida”. Contudo, a voz lírica não se submete: “De não em não/ Alçar estrelas” (“Rota de Evanescência”).
(...)
Sidnei Schneider - Poeta, tradutor e contista. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999) e tradutor de Versos Singelos/José Martí (SBS, 1997).
********
Existe uma musicalidade que nasce no interior do silêncio e esta musicalidade está presente neste livro que você, leitor tem em mãos.
Penso que nossa consciência se divide em uma parte que observa e outra parte que vive nos poemas de Bárbara Lia acontece, uma delicada fusão destas duas partes da consciência, temos aqui uma poética que se alimenta desta fusão e com uma elegante concisão ata, costura estas duas metades de um eu lírico, que todos no fundo possuem e poucos sabem fazer cantar e florescer num poema que no fundo é como a flor de uma árvore, que poderíamos sim, chamar de árvore da vida, a poesia seria justamente essa flor, que Bárbara soube tão bem indicar no meio desse misterioso jardim onde cresce a árvore da vida, não é esta flor, uma flor no Ártico como apontou Rimbaud em uma de suas iluminações, é uma flor-árvore que cresce em toda parte, como poderá intuir, quem ler este belo livro.
Marcelo Ariel - Poeta e performer. Autor de TRATADO DOS ANJOS AFOGADOS (LetraSelvagem,2008), O CÉU NO FUNDO DO MAR ( Dulcinéia Catadora,2009) entre outros...
(fragmento do texto de apresentação do poeta Sidnei Schneider)
Saturday, December 24, 2011
fragmentos 2011
janeiro/2011 - Meu primeiro ebook - COREOGRAFIA DO CAOS - publicado no site Germina Literatura
março/2011 - edição do autor
Tem um pássaro cantando dentro de mim
Dia 26 de março, na Fundação Casa do Estudante Universitário do Paraná (CEU), dentro da terceira edição do Ato Poético - Arena de Idéias. Evento organizado por João Andirá... Leitura de Poesias que apresentou poetas locais - Loraine Thais, Adriano Smaniotto, Rafael Walter, Ricardo Pozzo, entre outros...
são francisco do sul - sc - abril/ 2011... eu que não gosto de fotografar ou ser fotografada consegui esta imagem linda...
2 poesias minhas na Antologia - O melhor da festa 3 - Antologia do Festipoa - organização Fernando Ramos - publicação Casa Verde Editora. Contos e Poesias de poetas e escritores convidados do Festipoa 2010/2011. Lançada em Maio/2011 dentro do evento Festipoa Literária.
wonkademia - com ivan justen santana e marilda confortin - maio/2011 - wonka bar - curitiba
QUINTA POÉTICA – 38a edição – 30 de junho de 2011 - evento organizado pelo poeta José Geraldo Neres - Casa das Rosas, ao lado dos poetas Gracco Oliveira (Diadema - SP) e Maiara Gouveia (São Paulo – SP).
Moinho - Ilustração para o primeiro texto de Literatura Infantil - escrevi para meu neto Arthur. Admiro quem desenha e quero aprender esta ARTE.
Congresso de Poesia de Bento Gonçalves - Duas Poesias participaram do Projeto Poesia na Vidraça. A cidade se cobre de poesia durante o evento que acontece todo ano em outubro e é organizado pelo poeta Ademir Antonio Bacca.
Na Feira do Livro de Porto Alegre - Minha poesia - dame el ocaso en una copa - integrou o Código Coletivo - Projeto da Poeta Sandra Santos. A exposição foi realizada anteriormente no Castelinho - Porto Alegre.
com alunos da oitava série do Colégio Estadual Barão do Rio Branco - Assaí - PR
Emocionada, lendo meus versos para a comunidade da cidade onde nasci: Assaí
Nos dias 07 e 08 de Novembro visitei minha cidade natal para participar do encerramento de dois Projetos de Literatura dentro do PDE - Programa da Sec. da Educação, as Professoras Rosana Galassi e Maria Zélia Bezerra Lopes optaram pela Poesia e com um diferencial sublime, optaram por apresentar aos alunos os poetas nascidos na cidade, para aproximar da realidade esta ARTE tão misteriosa. Recebi um email de Maria Zélia, que me descobriu depois de uma publicação do poeta Matheus Hermany, falando sobre minha poesia. Foi a porta para um diálogo que durou meses e me encheu de encanto e energia. Visitei Assaí, há quase trinta anos não visitava minha cidade natal, participei do sarau e da festa de encerramento, visitei o colégio e conversei com alunos que participaram do projeto. Meu amigo Carlos Barros diz que devo escrever um livro sobre isto. Penso que sim. Foi poético, meus primos Chico e Ana vivem em uma chácara, comi jabuticaba e caminhei ao lado do lago artificial onde eles criam peixes, visitei a horta e as plantações. Fomos a Santa Cecília do Pavão, na casa onde viveu meu tio Lupércio, uma saudade ao ver suas fotos e em tudo a exuberante memória do meu pai, aflorando. A visita à segunda esposa do meu tio herói de guerra - Leonercio Soares - que escreveu o livro - Verdades e Vergonhas da FEB. Voltei e conclui um livro que fala do meu velho pai. Agora ele é nome de rua em Assaí, o meu velho pai. Homenagem merecida para quem ajudou a medir as ruas e a dividir a cidade, o que ele fazia em seu ofício de agrimensor. Uma experiência bela. O que o Carlos não sabe é que para falar dos meus eu ficciono. Não sei narrar sem colocar o véu da Literatura. Não quero biografias e nem relatos. Quero sempre tentar banhar em poesia as cenas, a memória, o caminho.
***
Espero que 2012 traga a todos o começo do Mundo, não o final. Não aguento mais ver os meus canais favoritos - Discovery e History. Lá só se fala de personagens históricos tiranos, discos voadores e do fim do mundo... O mundo, para mim, está perdendo o encanto. Descartam a Poesia - mistério que nutre - para correr em busca dos mistérios que sugam tudo. Não lembro qual cientista ou pensador falou sobre o efeito do pensamento coletivo com relação a estes eventos. Talvez o mundo acabe, sim, não por ser algo definido no coração de Deus ou no alinhamento das estrelas. Talvez o mundo acabe por ser este o pensamento de todos. E eu creio na força do pensamento. Da infinidade de programas que vi, apenas este homem que não tive tempo de anotar seu nome, disse algo com coerência. O pequeno segredo - Somos nós que construímos nosso começo ou nosso fim.
Nos vemos em 2012.
Monday, December 12, 2011
"letras e/& artes"
Entre 1959 e 1961, Curitiba viu nascer e florescer a polêmica página literária, "letras e/& artes", um marco no jornalismo cultural da capital e da vida literária paranaenses.
Reunindo toda uma geração de jornalistas, escritores, poetas, contistas, críticos de cinema e de teatro, ensaístas, filósofos, e artistas plásticos, o suplemento inovou no estilo de revelar os autores locais, e na forma gráfica de discutir e absorver a cultura brasileira na província.
Publicada aos domingos pelo jornal "Diário do Paraná", órgão pertencente aos Diários Associados, "letras e/& artes", meio século depois, é agora resgatada através de uma inédita edição fac-similar (84 páginas, tamanho do jornal da época, 94x64cm; 04 cores), organizada pelo seu então editor, o cineasta, poeta e escritor, Sylvio Back.
Edição limitada de 500 exemplares, fora do comércio, a coletânea, ora em lançamento, terá ampla distribuição nacional, visando sua fruição em bibliotecas, universidades e academias literárias públicas e privadas, e junto à mídia especializada, a bibliófilos e colecionadores.
O histórico feito vem a lume graças ao prestigioso patrocínio da Itaipu Binancional, com o apoio da Secretaria de Estado da Cultura do Paraná, através do projeto gráfico e editoração de Rita de Cássia Solieri Brandt e de Adriana Salmazo Zavadniak, e da seção paranaense da Biblioteca Pública do Paraná, onde está arquivada a coleção original do jornal.
A capa é de autoria do poeta e artista gráfico mineiro, Guilherme Mansur, com desenho de Manoel Furtado, e a reprodução das páginas são do fotógrafo, Cadi Busatto.
Adiante, extrato do depoimento de Sylvio Back (a íntegra abre a coleção) que, aos 22 anos, durante vinte meses, dirigiu "letras e/& artes" munido da mais ampla liberdade estética e de expressão sancionada pela cúpula do "Diário do Paraná", na pessoa do seu diretor, Adherbal Stresser.
Pela fatura independente e ousada, tanto em matéria de conteúdo, como em sua apresentação gráfico-visual, "letras e/& artes" é um evento cultural jamais igualado na imprensa paranaense.
Suplemento cultural de Curitiba prenuncia os anos ‘60
Sylvio Back
Desde quando nasceu, em 23 de agosto de 1959 até a sua intempestiva interrupção em março de 1961, "letras e/& artes” foi um marco no jornalismo cultural de Curitiba, e na própria vida literária paranaense.
Com sua equipe de jovens autores e formatação gráfica inusual, aliada à contundência dos textos, a histórica página, agora replicada em edição fac-similar fora do comércio, sempre privilegiou a temperatura da arte no Paraná, conflagrando a engessada cultura local (leia-se, curitibana), frequentemente, afeita ao beletrismo e à mimetização do que vinha de fora.
Para dar conta dessa inédita empreitada, "letras e/& artes" tínhamos total liberdade de expressão e opinião. Jamais a editoria foi admoestada ou censurada, nem constrangida a publicar texto não solicitado.
O tônus polêmico da página era cunhado por uma plêiade de artistas plásticos, contistas, poetas, cronistas, críticos de teatro e de cinema, filósofos, historiadores, etc. que, naquele espaço semanal único, encontravam guarida para suas criaturas, muitas delas na contramão do que se produzia e publicava em Curitiba.
Lembro-me bem que as edições dominicais eram avidamente lidas por alguns colaboradores, claro, inclusive, por mim, que ficava ali lambendo a cria ainda de madrugada – na boca da rotativa. Compartilhávamos da alegria dos gráficos que se dedicavam à página, eu diria, quase autoralmente, desde a transcrição e correção dos textos na linotipo até a sua impecável impressão.
Com os dedos ainda lambuzados de tinta fresca, "letras e/& artes", ato contínuo, era curtida nos bares e restaurantes da moda. As discussões e os debates começavam ali mesmo e se estendiam até o amanhecer de domingo, repercutindo depois na cidade pela semana afora.
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Colaboradores ilustres
Na sua breve existência, totalizando oitenta e cinco edições, “letras e/& artes” (inexplicavelmente, às vezes a logomarca saía com “e”, outras, com “&”) conseguiu reunir alguns dos melhores textos de Curitiba naquele crepúsculo da década de cinquenta e cúspide dos sessenta.
Entre outros, compareciam com regularidade assinando ensaios, críticas, poemas e ilustrações, Celina Silveira Luz, Walmor Marcelino, Oscar Milton Volpini, René Dotti, Paulo Gnecco, Helena Wong, Mário Fernando Maranhão, Hélio de Freitas Puglielli, Fernando Pessoa Ferreira, Ênnio Marques Ferreira, Carlos Varassin, Luiz Carlos de Andrade Lima, Regina de Andrade, Paul Garfunkel, Heitor Saldanha, Gilberto Ricardo dos Santos, Adherbal Fortes de Sá Jr., Pedro Geraldo Escosteguy, Manoel Furtado (cujo belo desenho ilustra a capa desta edição fac-similar), Ernani Reichmann, Ivette Gusso Lopes, Alberto Massuda, Francisco Bettega Netto, Mario de Andrade, Vicente Moliterno, Edésio Passos, Erwin Hromada, Jairo Régis, Cecy Cabral Gomes, Assad Amadeu, René Bittencourt, Antenor Pupo, Luiz Geraldo Mazza, Sebastião França, Yvelise Araújo, Nelson Padrella, Mauri Furtado, Roberto Muggiati e Glauco Flores de Sá Brito.
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Textos premonitórios
Frequentemente, as opiniões dos articulistas provocavam furibundas reações da micro-intelectualidade curitibana, quase toda ela de corte aufofágico, incapaz de acreditar nos criadores à sua volta (muitas delas chegavam até a pregar a extinção do suplemento). Para contrabalançar, eu tinha o retorno entusiástico dos leitores expresso em cartas, telefonemas e nas colaborações remetidas à redação.
Ainda que não tivesse nenhum parentesco nem se remetesse ao suplemento “Joaquim”, dirigido pelo então também jovem Dalton Trevisan na década de ‘40, interessante constatar hoje como “letras e/& artes” refletia uma antecipação paroquial dos anos sessenta.
Seu conteúdo estava sintonizado nas discussões nacionais sobre cultura popular, existencialismo, marxismo, arte engajada, a relevância da poesia, da literatura, do teatro e do cinema brasileiros.
Por essas e outras, a redação virtual do “letras e/& artes” sempre fervia de novidades, congregando jornalistas e autores experimentados a dezenas de neófitos (todos indisfarçáveis candidatos a escritor, poeta, crítico, advogado, político, sindicalista e cineasta...).
Com as exceções que confirmam a regra, supinamente radicais, bem ao estilo daqueles tempos ideologizados que começavam a se delinear.
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Dor e orgulho
Havia naquelas edições dominicais a dor e o orgulho do saber da província: produzia-se de e para Curitiba. Não havia o flerte e a reverência ao eixo Rio-São Paulo, ainda que alguns dos nossos maiores, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira, por exemplo, sempre tivessem seus poemas reproduzidos.
Havia, sim, prioritariamente, o reconhecimento da criatividade emergente local que, pela primeira vez, naquela quadra, encontrava espaço pertinente para estrear sua produção.
Arrisco dizer que “letras e/& artes”, pela pegada iconoclasta, e desde então, rotineiramente “esquecido” e omitido pela Curitiba acadêmica como se nunca tivesse existido, só teve ressuscitado seu estilo trinta anos depois pelo mensário “Nicolau” (do qual, aliás, fui assíduo colaborador).
A sua prematura “morte” em 1961, com a minha inesperada demissão do jornal por ser um dos líderes de uma greve salarial, se deixou um vácuo de tristeza entre todos que o fazíamos com tanta paixão, dele sobrevive hoje, meio século depois, uma inestimável fortuna crítica de talento, inconformismo e controvérsia.–
Sylvio Back é cineasta, poeta, roteirista e escritor. Autor de 37 filmes de curta, média e longa-metragem (11), publicou 21 livros (poesia, roteiros, contos e ensaios). Em lançamento nacional, o novo filme, “O Contestado - Restos Mortais”; em filmagem, o doc “O Universo Graciliano”; em preparo, a ficção,“A Angústia”, baseado no romance de Graciliano Ramos.
Saturday, December 10, 2011
Hoje é dia de Emily!
Emily Dickinson, 10 de dezembro de 1830 - 15 de maio de 1886 - Amherst, Massachusetts -
Emily Dickinson e Clarice Lispector nasceram na mesma data. Uma incrível coincidência, as duas escritoras de enigmáticas personalidades, cujas obras fascinam poetas e escritores e leitores em todo mundo.
Algo existe num dia de verão
No lento apagar de suas chamasQue me impele a ser solene
Algo, num meio dia de verão,
Uma fundura – Um azul – Uma fragrância,
Que o êxtase transcende.
Há, também, numa noite de verão,
Algo tão brilhante e arrebatador
Que só para ver aplaudo -
E escondo minha face inquisidora
Receando que um encanto assim tão trêmulo
E sutil de mim se escape.
Emily Dickinson
Tradução de Lúcia Olinto
Hoje é dia de Clarice
Clarice Lispector! Muitos pensaram em deixar de escrever ao ler sua obra. Jamais chegaremos ao patamar de desnudamento de almas que ela alcançou, como ir camada a camada retirando o véu dos segredos do que é ser humano. Enxergar além, muito além, tocar as magnitudes e o que há de mais reles no ser. De que outra forma ela poderia falar tão dentro, tocar cada fibra dentro da gente, esta dor que a gente esconde de toda a gente, esta pequena vergonha, aquele orgulho engavetado, um amor real naufragado? Tocar o âmago da flor da vida, da aurora de Vênus. Tocar o inalcancável e imperecível.
***
Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa todo entendimento. Clarice Lispector
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