Monday, November 18, 2013

Natal amorável




Sobre os livros artesanais... editei  "Rosas em Ruínas" pequena epopeia passional:

Femme! 
Essencialmente erótico. O pequeno livro é o que anda de mãos dadas com Eros, a maioria dos poemas falam do amor carnal. O poema que integrou a Antologia _ Amar, Verbo Atemporal (Umbrática Nuvem) _ está neste livro. 

Percurso amoroso de uma vândala
Primeiro coloquei o título deste pequeno livro de _ Canções de afundar navios _ depois optei pelo percurso. O percurso amoroso de uma vândala está dividido em três subtítulos: Dark Blues / Noir / Shine.




..

Saturday, November 16, 2013

O outro lado do espelho...


ESTAR SOZINHO

(Para Bárbara Lia)

Líquido momento de sentir
E estar sozinho.

Mariana Ianelli


Aqui
não há
a voz das folhas secas 
a te sussurrarem
- sob o peso dos teus passos – 
segredos do outono.

O coração se calou.
                                                         
O silêncio 
aqui
já não te causa medo.
O silêncio
aqui
é líquido como o deserto
ou como a hora 
líquida e incerta
de estar sozinho.

MARCELO BOURSCHEID
Dramaturgo e Poeta
foto _ com Marcelo na Oficina de Dramaturgia _ SESC/PR




que a lua não enregele seus dias de ópio
e o medo da morte não desperdice o lento caminhar
se o gelo das altas madrugadas fazer-te esquecer da vida
esquecer das dores, esquecer da fadiga de dormir
para logo mais acordar...

ainda restará uma xícara de café quente sobre a mesa
e um pedaço de pão
e um papel amassado

e a reclamação de um filho que ainda não se foi.

Clifton Giovanini - 24/02/03

_ Clifton na foto _ o moço de azul





De Sóis Noturnos


para Bárbara Lia

Sou eu?
Atrás do espelho,
tinha um espelho.

Neste, eu estava invertida.
Naquele, a me ver vertiginosamente.

Branca de neve sem madrasta:
eu sol.
De Sóis Noturnos.

Nem quem,
espelho meu,
nem mais bela.
Só eu.

TRÊS TEMPOS

I
Inspirou
Eu sou?

II
Expelindo
Eu sol.

III
Morrerá
Eu só.

Rebecca Loise
in http://rebeccaloise.blogspot.com.br/2013/10/de-sois-noturnos.html




releitura
p/ bárbara lia

tremendos mistérios estão ali,
naquelas
páginas

os átomos que falamos tanto
parecem mais leves

parecem mais pesados,
também

após releitura de uma
última chuva

Isaias de Faria _ somos todos telebobos _ página 59



** uma característica dos poemas: meus amigos poetas captaram minha solidão. O poema do Isaias de Faria é sobre a releitura de um livro, os demais conviveram por algum tempo com minha alma misantropa e a narraram em poesia, para eles também escrevi versos, de todos eles sinto saudades. E a vida é este mistério, e tempo e distância este impasse. Segue o coração com as horas arquivadas, a retirar como quem retira fichas de um arquivo e revê e vive outra vez. Para Marcelo Borscheid foi depois do incrível mergulho na beleza dolorida de: Antes do Fim,_ ainda na época da leitura dos textos em nossos encontros de dramaturgia e o poema foi escrito enquanto ouvia a leitura, capturei imagens, embalada pelo clima do texto desta belíssima Peça, recolhendo cenas e signos. Clifton ganhou uma poesia que entrou no livro "A última chuva", no tempo em que ele viveu no Rio Grande do Sul e escrevia contando sobre o lugar onde vivia diante de uma catedral gótica, sentia saudades do meu amigo e para ele escrevi "Primavera Desfolhada"... E, para Rebecca dediquei um texto escrito após minha ida à exposição no Museu da Língua Portuguesa, ante o silêncio azul que desvelou para mim um pouco mais de Clarice Lispector, pois a escrita da Rebecca tem este viés de Clarice, de profundidade que fere navalha.


LEITURA POÉTICA DE "ANTES DO FIM":
para Marcelo Bourscheid

Chuva no mar
       e Electras estilhaçadas
Ruptura das asas
       e aves mortas na varanda
Luz estéril de farol hirto
       bloqueando sereias
Malas atiradas na areia
       aos pés da catedral de ossos
Rescaldo do sacrifício
       dos serafins tortos

- Bárbara Lia/2009


Fragmento de _ Primavera Desfolhada _ Para Clifton Giovanini (A Última Chuva):

Agora, ele escreve fumando narguilé
batucando a velha Olivetti
diante da catedral gótica.
Meu amigo medieval
ponte de ternura rara
exilado em um lugar
onde a neve cai ao sol
onde ele não esquece
nosso carinho repartido.
Agora, vai descrever as pedras da catedral
com ternura embriagada,
breve, vai ultrapassar a soleira em luz
garrafa de vinho em uma das mãos
uma chama de vidro no coração
e no rastro uma primavera desfolhada.
Bárbara Lia/2006

"MISTÉRIO E CHAVE DO AR"

A porta do elevador se abre e todas as paredes mostram o rosto dela e as palavras. Clarice jovem, Clarice adulta, Clarice em suas últimas fotografias. A penumbra azul traz de volta um pensamento recente: O céu não é baunilha, luz, campos e regatos. O céu é uma penumbra. As mais belas horas vivi na penumbra. E Clarice me sussurra na penumbra "sinto que sou muito mais completa quando não entendo" e "viver ultrapassa todo entendimento". Entrei na penumbra azul da exposição de Clarice sabendo que em mim, como em tantos, nada permanece igual depois que se respira "o mistério e a chave do ar" - Clarice.
E a Estação da Luz fechou por alguns instantes (segurança papal). Não eu não quero ver o Papa, quero ver a palavra viva, fluída, que são regatos escondidos em gavetas escuras. E chorar lendo o poema de Drummond, que resume Clarice no último verso: mistério e chave do ar.
Há que se escolher o ar, e respirar puro. A exposição no Museu da Lingua Portuguesa - A hora da estrela - é pura penumbra, e ao mesmo tempo luz. As fotos que ela tirou em sua polaróide. E as inúmeras fotos de Clarice, sua obra, seus passos, seu itinerário completo. Não pude fotografar como fotografei a exposição da obra de Guimarães Rosa. Em um momento da entrevista dela, ela se confessa cansada. Impressiona. E como ela se mostra humana, frágil, impressiona. Então respiro o ar, a penumbra dos gestos e palavras e o pensamento volta. Vivi instantes de céu, na penumbra asséptica entre verdes lençóis, quando o filho nasceu e contra todos os prognósticos, viveu. Acordar em uma certa madrugada, esquecida de onde estava, da penumbra ver a luz pequena que cai sobre a mesa o vulto do amor a compor poemas - Céu. A penumbra de um porão salpicado de pétalas e poesias, a penumbra sempre... E toda a atmosfera delineia esta idéia que anda vagando em mim - é bem estranho o céu, é uma penumbra, caminhei pelo céu esta tarde. pelas relíquias, documentos, acervo pessoal, cartas, e sorrisos discretos dela.

p/Rebecca Loise _ 2007



Thursday, November 07, 2013

Um poema para Hart Crane



Em Wall Street, dos andaimes até à rua, o meio-dia escorre
Como um rasgão luminoso no acetileno celeste;
_Hart Crane



Crane afogado no mar das Antilhas
Olhos vidrados: duas conchas marinhas
_ Tela onde peixes assistem ao enredo triste _
Um menino desamparado
Um adulto amparado pelo álcool
(A vida é liquida _ disse Hilda Hilst)
Em Crane era liquidez de sonhos e espumas
Assombro diante de pontes
_ Pontes de ferro ou pontes de amor, partidas _
Abandono e amores brutos
No fundo do mar, a solução final

Bárbara Lia

Thursday, October 24, 2013

"desaparecer não é para qualquer um"




Marcos Prado tem razão _ Desaparecer não é para qualquer um _
Vou desaparecer por um tempo. Mergulhar no ócio criativo e escrever.
Antes, quero publicar os links de matérias bem lindas sobre a Antologia _ Fantasma Civil.
No Programa  _ Noites Curitibanas _ Michelle Pucci conversa com Sabrina Lopes e Ivan Justen Santana:



Na TV da Prefeitura Municipal de Curitiba _ A Arte toma conta da cidade




Paraíso de Pedras _ Paradiso _ Curitiba



Os poemas da Antologia _ Fantasma Civil _ o mergulho na cidade, evocou o meu mais recente livro _ Paraísos de Pedra _ onde a primeira parte tem como cenário Curitiba. Minha narrativa em prosa poética que permeia os contos de _ Paradiso:

"O palco tosco da sala da Universidade destoava da modernidade cilíndrica e asséptica da minha Curitiba. Sala antiga, prédio antigo, o professor de Antropologia valia a cena. Quando subia ao palco e improvisava paraísos eu viajava entre as tribos aborígenes _ homens de rostos adornados de branco. êxtase." (Página 17)

"A água não jorra, neste fim de tarde, do símbolo fálico do chafariz do Largo da Ordem. Um cavalo que baba (goza?)... O que secou? O sêmen ou a lágrima? Muito estranho esse cara que fala com o mármore com intimidade de amigo. A água parada, a vida parada, o homem descalço a conversar com as pedras e eu a esperar o amigo..." (Página 21)

"Em todos os invernos provarei o gosto do céu olhando o voo das pombas sentindo o aroma de seus cabelos espalhados.
E um sopro suave à saída do Café Express me trará esta certeza: dela ao meu lado espalhando anis no ar com a ternura dos naufragados." (Página 32)

"Aqui teu cravo branco, amor! Quando coloco os pés na banca do Mercado das Flores a moça me estende tua flor. Nossa flor. Nem preciso dizer nada. É o ritual das visitas das terças" (Página 33)

"O nosso corredor lírico era uma rua de pedestres. A recém-inaugurada Rua XV. No caminho para o apartamento de Mariah nossa parada era na Confeitaria das Famílias para comer uma bomba de chocolate e tomar um chocolate quente. 
Na cidade do nosso desabrochar existe _ a cada dia _ o ritmo das estações. Quatro estações em um só dia."(Página 38)


Bárbara Lia _ Paraísos de Pedra _ Editora Penalux - Selo Castiçal

Saturday, October 19, 2013

Pra não dizer que nunca falei em Deus...




Menina com bandolim _ Picasso





As pessoas buscam Deus. As religiões o usam. A sociedade ampara-se em dogmas similares para que as Instituições controlem o planeta. No fundo de todo homem existe o fantasma do medo plantado por mãe, pai, padres, pastores. Criamos um mundo de medo, ao invés de um mundo de Amor. Não amor no sentido pequeno e humano de querer ser amado, do receber e receber sem a parte mais plena e libertadora que é o - dar. Sempre voei para os espaços vazios e quintais. Queria acompanhar as formigas no chão, as borboletas no ar. Pois, aos que foi dado o direito de viver sem questionar, basta seguir o ritmo natural. Se eu sou hippie? Não. Nova era? Jamais. Vegana? Também não. Então, quando os homens começaram a classificar, incluíram este ranço que se volta contra quem vive, ama e pensa como bicho e flor. Os que acordam e preferem o canto do pássaro que o noticiário tão igual. Quem duvida que vivemos o - Admirável Mundo Novo - de Huxley. eu que insisto em correr em busca da minha mãe natural (metáfora da criação), não encontro lugar. Tenho pena dos que se contentam com uma religião, ou a busca dela. Deus não está nas religiões. Nada nos faz mais humanos e menos nocivos do que apenas seguir o grito natural do que nos colocou aqui. E isso nem significa - a família. Significa esse fio que segue plantado dentro de cada um. A própria voz, o simulacro da Beleza do único Amor que importa está lá, desde o Big Bang. Então, desculpem os que vivem com os sermões a apontar a sujeira do sexo, a priorizar a falta de senso de ter um deus Mamom... Desculpem se eu não creio mais em legados, livros sagrados. Eles ergueram os maiores muros em todos os tempos. Iniciaram e prolongaram as mais sangrentas guerras. Desculpem os crentes, os dementes que se acham crentes, os que acham que humanidade é classificar, julgar, apontar, tentar consertar. Tem um paraíso escondido dentro de cada um. Penso nisso há muito, bem antes de me saber poeta. Querem um mundo melhor: Amem. E esqueçam Deus. Aliás, ele está saturado de ser usado para coisas pequenas. Ame! Ame! e Ame!... Só assim vale a pena, e ganhar ou perder, não importa. Estar certo ou errado, muito menos. E se me perguntarem o que é o Amor, então, já estão pedindo demais. 
Tire os sapatos, fique nu de pele e ossos, cerre os olhos e caminhe, caminhe, caminhe e quem sabe o Amor venha ao teu encontro.

Bárbara Lia, primavera de 2013

Thursday, October 17, 2013

Cartões Galantes - Exposição - Castelinho do Alto da Bronze - Porto Alegre

Minha Poesia na Exposição _ Cartões Galantes:







Mais um lindo projeto _ Curadoria Sandra Santos
Meu coração em Porto Alegre neste final de semana... em um do cartões galantes:



Cartões Galantes - exposição

Quando? dia 19/20 - dia do poeta
Onde? Castelinho do Alto da Bronze


Alexandre Brito, Ademir Demarchi, Bárbara Lia, Betty Vidigal, Caio Ritter, César Pereira, Edson Bueno de Camargo, Edson Cruz, E. M. de Melo e Castro, Gilberto Wallace, José Geraldo Néres, José Inácio Vieira de Melo, Juliana Meira, Laís Chaffe, Lau Siqueira, Leila Miccolís, Lúcia Santos, Luis Turiba, Mara Faturi, Marcelo Moraes Caetano, Marco Cremasco, Mario Pirata, Manoel Herzog, Nydia Bonetti, Paulo Seben, Ricardo Portugal, Ricardo Silvestrin, Renato Mattos Motta, Romério Rômulo Campos Valadares, Rubens Jardim, Salgado Maranhão, Sandra Santos, Sidnei Schneider, Tchello d'Barros, Tulio Henrique Pereira.

(Cartão de galanteio encontrado num livro que pertencia ao escritor gaúcho Othelo Rodrigues Rosa, inspirou Sandra Santos que criou a exposição utilizando versos atuais dos poetas acima)

Wednesday, October 16, 2013

Lançamento da antologia poética "Fantasma Civil"


Fantasma Civil
(Curitiba: Editora Medusa, 2013)
Bienal Internacional de Curitiba
90 páginas
Org. Ricardo Corona
Distribuição gratuita


Convido meus amigos para o lançamento da Antologia e a apresentação dos poemas por alguns poetas presentes. Vou até lá e vou ler um poema que fala sobre a chuva, minha memória poética-afetiva sempre presente nesta cidade líquida e vaporosa e gostosa e etc. e etc.




21/10

Lançamento da antologia poética "Fantasma Civil"
17h, no Palacete Wolf
Praça Garibaldi, 7 - Setor Histórico



A antologia Fantasma civil, organizada pelo poeta Ricardo Corona para a Bienal Internacional de Curitiba 2013, da qual é curador convidado, reúne 42 poemas de 42 autores brasileiros que mantêm alguma afinidade com a cidade. O conjunto de poemas acessa lugares de Curitiba, propondo-se a uma cartografia sensível da cidade. Com projeto gráfico da artista visual Eliana Borges, a publicação é composta de folhas soltas acondicionadas em uma caixa. Cada folha-página traz impressa, além do poema, a imagem que este menciona e, conjuntamente, poema e imagem, lembram afetivamente estes lugares da cidade. Trata-se, portanto, de um livro-objeto que se relaciona com “a cidade por meio destas estruturas dissipativas que são os poemas e as imagens (...). A partir de sensações de lugares e espaços que arquivam tanto sensorialidades imemoriais como lembranças individuais e, sobretudo, rastros-resíduos da cidade deslembrada – lugares que são devires antes mesmo de os poemas e as imagens se estruturarem para evocá-los”, conforme anota o organizador no prefácio do livro.


É importante dizer que o livro Fantasma civil, com suas páginas soltas, desdobra-se em duas outras ações poéticas: leituras criativas em trajetos de ônibus e travessias de barco. Além disso, a publicação estará disponível nas Tubotecas para que o cidadão que vive a cidade tenha acesso a essa memória poético-afetiva

Tuesday, October 15, 2013

Leitura afetiva dos poemas da Antologia _ Fantasma Civil


No dia 19 de outubro (sábado), as declamadoras Maria de Jesus (79 anos) e Wanda Bondan (74 anos), oferecerão às pessoas que estiverem no Passeio Público leituras de poemas durante trajetos de barco. Os poemas são da antologia Fantasma civil e essa ação é, sobretudo, um gesto poético que se oferece à cidade pela fala do coração destas mulheres.

Local: Passeio Público
Data: 19 de outubro (sábado)
Horário:
Manhã: das 9h às 11h
Tarde: das 14h às 17h

Leitura afetiva dos poemas da antologia Fantasma civil
Declamadoras: Maria de Jesus e Wanda Bandan
Participação gratuita.

...

A antologia Fantasma civil, organizada pelo poeta Ricardo Corona para a Bienal Internacional de Curitiba 2013, da qual é curador convidado, reúne 42 poemas de 42 autores brasileiros que mantêm alguma afinidade com a cidade. O conjunto de poemas acessa lugares de Curitiba, propondo-se a uma cartografia sensível da cidade.

Sarah Kane




Sarah Kane's Paint

"Fuck you. Fuck you. Fuck you for rejecting
me by never being there, fuck you for
making me feel shit about myself,fuck you
for bleeding the fucking love and life out of

me, fuck my father for fucking up my life for
good and fuck my mother for not leaving
him but most of all, fuck you God for
making me a person who does not exist,

FUCK YOY FUCK YOU FUCK YOU."


- olhos de inverno - Sarah, olhos baixos - partir - ciao,
baby - fazia um frio gigantesco - a cold cold night - ne-
nhum estouro - um desastre da distração - no banheiro
- o fim de uma pétala - a imaginação sob o imfluxo das
circunstâncias de olhar pela janela do apartamento às 6
da tarde de um sábado - de sangue e pus - querendo se
convencer de que tudo está bem - porém, a única coisa
que se quer é um Hershey's e um beijo - falta - a vida a
violentou até o fim _ se seu buquê era violento - acordar
no meio da morte, e desculpar-se pela ausência - muito
sangue, muito - e nenhum - ciao, baby - zopiclone no
apocalipse - sem efeito - seu rosto tem uma palidez rústi-
ca, e sua despedida - você não foi embora de avião -
disse o contrário e deitou-se - ajeitou cadarço até fa-
zer silêncio - o que acontece quando um rouxinol nos
acorda de um amor morto? - ainda hoje - sete lagos -
versos de ninguém - sete léguas - sete lagos - e a
lua branca - ciao, baby - seus lábios com o contrapeso
da ausência da palavra ciranda - as pulsações com toda
a pele de droga e desamor _ 20 de fevereiro de 1999 -
doesn't make sense otherwise - doens't make sense any-
way - o violão acorrentou em seus seis abalos sísmicos
a cisma de uma flor sanguínea - ciao, baby - see you later
- em algum lugar em que eu nunca estive - alegremente
- sempre - nunca - estarei

Fabiano Calixto

Sanguínea _Editora 34 _ Páginas 85/86



***







"eu nunca entendi 
o que é que eu deveria sentir
como um pássaro voando num céu inchado
minha mente é rasgada por um relâmpago
quando ela voa fugindo do trovão"
Sarah Kane/


Olhos alagados de neve negra 
- Nunca abra a cortina!
A não ser para meu espírito fugir
Às 04:48 - a hora feliz
Pensarás em mim do jeito que eu sempre quis?
Para que eu possa sentir a felicidade estagnada
Qual aquela de quem está em estado de coma?
(sentar nos degraus enquanto tomas banho
passar a maquina suas cartas
ir ao Florent beber café à meia-noite)
A verdade das baratas
A falsidade da luz
O convite sincero dos trilhos do trem
Escotilhas abertas: 
Felicidade saia deste estado de coma!
(dar-te girassóis
desintegrar-me quando ris
querer aquilo que queres)

Bárbara Lia
- as palavras entre parênteses são de Sarah Kane.

Monday, October 07, 2013

Paraísos de Pedra




Meu mais recente livro _ Paraísos de Pedra _ Editora Penalux _ Selo Castiçal (Contos)

Matéria de Marleth Silva sobre o livro: Um mundo mágico ao redor da casa.
Link:

Sunday, September 29, 2013

Friday, September 27, 2013

Frida e eu





MEU CORPO lembra Frida Kahlo. A marca que impede uma alma livre de ser plena, correr ao encontro de tudo. O congelamento do corpo em uma cama, em um espaço cerzido. Ela _ Frida _ não aceitou e pintou sua realidade com traços de luz/fogo/alfazema/lágrima e amou de um amor irrepreensível e nunca aceitou que o mundo a taxasse de menor ou pequena... Frida sussurra no meu travesseiro a ladainha da rebeldia: Ergue este queixo bonito e pisa as flores da tua escolha, e ama e ama até forjar uma chuva de colibris acima dos abismos. Frida, Frida... Ainda estamos colhendo estas aves azuis com nossas mãos pequenas. Tua liberdade era estrela bastarda _ eterna fagulha no céu _ eu a agarro como quem monta uma égua dilacerada, pretendendo com ela atravessar a agonia do viver. E quando meu corpo esquece que é teu corpo eu contemplo este duplo meu e a minha voz interior diz claramente _ Sou Frida à medula. 

Bárbara Lia _ do livro inédito "A vida é um cão que nos devora começando pelos dedos".

Thursday, September 19, 2013

Homenagem a Vinícius de Moraes _ Cem anos de Poesia - Algumas imagens















Carta ao poeta (Bárbara Lia)

Querido Vinícius...
Uma menina com uma flor
Uma menina do interior
E teus versos a espanar
O épico da minha casa
Tua poesia em brasa
De Amor que tudo alcança
Ah! Poetinha, poeta lindo
Poeta da Pátria minha
Tu me ensinastes a Amar!
Hoje calo a derradeira chama
Que _ cíclica _ derrama
Para falar de exílios, guerra, saudade...
E passear também pelos teus primeiros anos
A criança que um dia todos fomos
E nunca deixamos de ser: Menino e Menina
Poetas a acreditar na beleza
Por isto, atiro aquela rosa antiga da minha cabeceira
E o espanto de saber que _ o amar _ não envelhece
Hoje amo, amo e amo como naquelas manhãs do amor primeiro
E desde então e até aqui...
Também te amo, Vinícius de Moraes...


**
A homenagem ao Vinícius foi _ LINDA!
Estou triste e isto está ali, no meu rosto.
O Público gostou. Isto importa.
E sei que Vinícius também amaria, ver duas poetas a dizer seus versos, a celebrar o fato dele ter nascido há Cem Anos e ter esparramado tanto encanto, tantas canções, tanta poesia. Ser o branco mais negro do Brasil, ser esta figura. Humana.



Tuesday, September 17, 2013

Vinícius!



"Quem pagará o enterro e as flores
se eu me morrer de amores"
Vinícius de Moraes

Monday, September 16, 2013

deux poètes


Imagem _ Rossana Bossù





No princípio a homenagem ao Vinícius ia ser fragmentada em dois tempos _ uma leitura minha e em outro horário, a leitura da Marilda. depois houve esta junção via SESC e foi melhor, ao menos para Bárbara Lia, tímida e longe dos palcos, organizar com alguém com experiência de performance poética, mais ligada à música e teatro que eu. Poesia, quando se trata de leitura em palco, só no útero marginal Porão do Wonka Bar, raramente me apresento em um palco maior. Naquela ocasião que era eu, Deus e Vinícius, eu decidi que não ia ficar falando do Vinícius boêmio e cheio de mulheres, ia falar de outros temas. E havia escolhido um título pra nossas poesias _ Dois Poetas no Front. Esta imagem e este vestido esvoaçante, o pássaro azul, a memória. Tudo me envolveu ontem e criei esta imagem de nós dois _ lembrando o verão passado, quando estava com um vestido branco e leve e levava meu neto pela mão para brincar no parque. Quando ele percebeu que meu vestido estava alucinado ao vento ele disse _ Vó, teu vestido quer fugir... Se for para fugir e voar, que seja com o pássaro azul da Poesia!

Wednesday, September 11, 2013

O grito tornado silêncio _ Fontela





“Reclamam, porque eu não falo de amor. Mas então não leram Homero... Eu quis chegar no miolo das coisas. Já fiz duas leituras para auditório de jovens e eles gostaram muito. Isso me deixa reconfortada. Mas, infelizmente, nossos especialistas ainda têm uma visão muito olímpica da poesia. (...) Mas é a velha história: é melhor que falem mal, mas falem de mim. Eu preciso de dinheiro para viver. Minha vida é um retrato da vida dos aposentados do Brasil. E a vida dos poetas no País. Eu queria ser mais enxuta, queria escrever poemas exemplares à moda de Brecht. Sei que não agrada, porque a moda hoje é o barroquismo. A moda é escrever como o Alexei Bueno. A moda é ser difícil. É um fenômeno sociológico e não adianta discutir com os fatos da sociologia. Não quero ir contra ninguém, só quero escrever meus poemas. (...) Eu sou pequena, pobre mulher que escreve uma poesia boa, mas, coitada, não é do meio. Não tenho família, não tenho bens, não freqüento os lugares chiques. É como se eu estivesse invadindo o Olimpo.”
Orides Fontela

Friday, September 06, 2013

Só uma dorzinha...


Imagem _ Remédios Varo






SÓ UMA DORZINHA 
(poema para Bárbara Lia)

Ontem estava com dor de cabeça
Anteontem estava com dor de cabeça
Hoje estou com dor de cabeça

Anteontem estava com dor de cabeça
por ter dormido pouco

Ontem estava com dor de cabeça
por não ter dormido nada

Hoje estou com dor de cabeça
por ter dormido demais

Caro leitor, nessa situação,
o que a gente faz?

Já tomei, entre aspas, várias “aspirinas”
E diversos sedilax

Mas a dor continua
E não é uma coisa
só da minha cabeça

Ah, poetas e professores de literatura
antes que me esqueça:

Isso não é um poema
tampouco é o fim do meu lirismo
ou o começo de qualquer outra doença

Esses versos são apenas o que são
como o osso é músculo
e a carne é sangue
e o sangue é pulmão

É, talvez esse poema não seja
o que você pensa...

Só sei que ainda serei pra vocês:
aqueles versos resistentes à qualquer analgésico
e
uma bela dor de cabeça

Fernando Koproski
6/setembro/2013



Thursday, September 05, 2013

Fantasma Civil _ A Poesia na Bienal Internacional de Curitiba



http://www.bienaldecuritiba.com.br/literatura


Este ano, a Bienal Internacional de Curitiba resolveu inovar. Além de expor obras nas ruas e realizar performances, haverá uma série de atividades de cunho literário. 

Segundo o curador Ricardo Corona, “buscamos um diálogo afetivo com a cidade seja através da antologia Fantasma Civil, dos textos do Dalton Trevisan ou de projeções e instalações sonoras.”

Fantasma Civil
Reúne 42 poetas brasileiros numa antologia que será lida em linhas de ônibus e travessias de lago. A publicação é constituída de folhas soltas com imagens e poemas selecionados em função de lembrarem alguns lugares da cidade, algo como uma memória poética de Curitiba que tem projeto gráfico de Eliana Borges. Uma das linhas de transporte coletivo, por exemplo, é a Linha Turismo que tem duas opções de roteiro: uma partindo às 15h da Praça Tiradentes e outra às 16h30 partindo do Museu Oscar Niemeyer.

A leitura também será feita em travessias em um barco no lago do Passeio Público. Em horários pré-estabelecidos, os participantes embarcam em duplas para um trajeto onde serão ouvidos estes poemas. Além disso, a publicação estará disponível gratuitamente nas Tubotecas.







La nave va...

Sou toda coração...

Nos demais, todo mundo sabe, o coração tem moradia certa, fica bem aqui no meio do peito, mas comigo a anatomia ficou louca, sou todo coraçã...