Tuesday, December 09, 2014

A arte de desaparecer



Atravessei uma noite de insônia ao lado dele. Iemanjá o levou, era 02 de fevereiro e o mar jamais será como antes. O cinema não será como antes. Acho que minha paixão por ele solidificou em - Capote - e depois eu fui ao - antes - e pensei em como alguém consegue desaparecer dentro de um enredo e ao mesmo tempo só ser. Sempre que vejo os filmes dele eu sou abduzida. E ele encerrou este ciclo em um filme onde toma o fio e só ele flana em um enredo a unir fios e a ser o que desaparece com Arte. Acho que, como disse Marcos Prado: desaparecer não é para qualquer um. E, sim, Philip vai nos tocar eternamente não apenas por música, mas, por todos os seus silêncios. Toda sinuosidade da fumaça que sempre existiu em seus personagens fumantes, displicentes, poéticos, ególatras feito Capote, misticamente loucos como no filme em que ele encarna o criador da Cientologia. Um fio de desdobramentos que só a sua fúria pode compor. Eu fico triste e feliz e fico muito furiosa quando penso que não existirá mais nenhum momento de ser levada por sua mão, passo a passo... Eu vi o último filme onde ele protagoniza este homem em Hamburgo a seguir no subsolo de descobertas e de jogos internacionais e ternura e paixão. Ele não existe, como os espiões não existem. Ele abdica, ama e abdica... não quer para si, quer o caminho que vai ajudar a melhorar toda esta encrenca. Sem saber que isto é discurso dos demagogos. Os melhores são os que fazem a melhor parte e ficam só com o grito de perdas na garganta... Acho que valeu, mas, continuo furiosa... Desaparecestes, enfim, para sempre... daqui para frente...