Friday, December 21, 2007

NO CAMINHO COM ROLLO DE RESENDE














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Cartão postal - Rollo de Resende
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Rollo de Resende era o moço alto de aura leve que eu via passar pela Rua XV e, vez por outra, na Feira do Poeta. Talvez por ser alguém em quem pousei o olhar eu o sinto mais próximo de mim que Leminski e Marcos Prado. Vejo Leminski através de um véu. Vejo Marcos Prado através de um véu. Rollo de Resende eu toco em poesia pela imagem que bebi, e pela fala de amor da Stella, sua irmã poeta e minha amiga há quase dez anos, Stella retira os véus. Stella compartilha, conta como foram os dias de poesia ao lado do irmão. Stella uma poeta que se recolhe, que ainda não se aproxima do verso, pois ao lado dele está a ausência. Rollo era artista plástico, artesão, poeta, zen nos gestos e na fala. A voz calma é o carimbo da alma. Os quadros que ele deixou, os cartões onde pássaros pousavam em fios elétricos. Minímos pássaros, e para compor seus corpos ele utilizava as pétalas minúsculas das sempre-vivas. Trago sempre gravado em fogo o seu conselho aos poetas de gaveta. Quando ouvi a primeira vez este áudio guardei como conselho de mestre. Ler a poesia límpida e visceral de Rollo é olhar com reverência a poesia, como ele que se colocava inteiro dentro deste "maravilhamento" que é ser poeta, No caminho com Rollo de Resende foi possível graças à generosa partilha da Stella. Gracias! Gracias Stelita estrela - Namastê.
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1. A PRIMEIRA LEMBRANÇA

Agora me ocorreu que a lembrança mais remota que eu tenho da minha vida é quando eu aguardava meu pai fazendo o programa da Ave-Maria numa estação de rádio em Cambará - Interior do Paraná.



2. AS PRIMEIRAS POESIAS

...Eu devia ter mais ou menos quinze. Comecei a escrever da forma mais inesperada - por pura inveja. Um colega de sala escrevia poesia na cola dos simbolistas e fazia sucesso junto à professora e alunos. Percebi que eu também podia plagiar. A gente estava impressionado com as escolas. Quando a gente estudava o simbolismo toda a sala escrevia como os simbolistas, e etc...



3. A CRIAÇÃO

...Ela se aproxima de mim em forma de melodia. Eu fico mastigando aquele verso, aquela melodia durante muito tempo. Depois, eu consigo escrever em algum papel. Então, a poesia fica de molho.


Aí vem o poeta que cose, apara... é um trabalho de ourives...

4. A POESIA


Não importa muito o que sucederá, o que a gente não pode perder - o dom do maravilhamento.

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A poesia é sobretudo oralidade. É a tradição da poesia, desde os gregos, a oralidade. Hoje em dia ela perdeu um pouco isto. Hoje em dia a poesia está muito ligada à música.


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A poesia vai nos revelar coisas que estão claras no cotidiano e precisa do papel do poeta para revelar. Como no poema - a xícara:

a xícara sem asa
fica para os da casa


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5. POEMAS FORA DA ORDEM
(Em 1992, para comemorar os cinquenta anos de Caetano Veloso, foi lançado o Concurso Nacional de Poesia - Prêmio Caetano Veloso - Aqui, no Estado do Paraná, apenas Rollo de Resende e sua irmã Stella de Resende foram escolhidos entre os vinte poetas que figuram na Antologia - POEMAS FORA DA ORDEM)
"O Caetano é de quem sei mais canções. É como se a trilha sonora da minha vida fosse tocando Caetano ao fundo"

6. AOS POETAS DE GAVETA


Poesia é uma coisa muito sagrada. Ela nos remete a um outro momento da vida... Ela nos revela coisas mágicas, inesperadas.

... A poesia nunca deveria ser usada simplesmente para que você fosse conhecido e adquirisse fama. A mim a grande lição que a poesia trouxe - coisas mínimas. A questão da humildade. É maravilhoso quando você escreve. Você não sabe a quem agradecer quando a poesia se aproxima de você...

... O poeta foi tocado. Houve a anunciação, o que acontecer a partir daí é consequência.


7. ROLLO DE RESENDE POR ROLLO DE RESENDE*
Nasci roxinho em Cambará, norte do Paraná, em 15 de agosto de 1965. Leão no solar, ascendente em gêmeos e lua cruel em peixes. Artista plástico e cantor de blues. Quando criança, leitor de uma revista de recortes, chamada "Recreio" e de catecismos.
Na adolescência, a descoberta de Augusto dos Anjos, O Conde de Monte Cristo, O Menino do Dedo Verde. Éramos uma turma de catorze alunos e vivíamos na cola das escolas literárias e de seus representantes. Por dois anos não passei nos vestibulares porque na hora da redação escrevia poesias. Já em Curitiba, a descoberta de Helena Kolody, Hélio Leites, Adélia Prado.
Algumas antologias que contém poemas meus: as do Concurso "Helena Kolody", "Grifos" de São José dos Pinhais, a antologia "Poemas Fora da Ordem", prêmio Caetano Veloso, nos seus cinquenta anos e outras.
Em 1988, através da Feira do Poeta, publiquei "Racho de romã" - 21 poemas que está em sua segunda edição.
Em 1990, alguns poemas intitulados "A sublime deriva" foram publicados em página dupla no jornal "Nicolau".
Sou integrante do grupo "Baú de Signos", oficinas de poesias e afins. Com Jane Sprenger Bodnar e Fernando Zanella, elaboramos o projeto "Homeopoética", poesias em cápsulas.
Eu e minha irmã Stella de Resende integramos o elenco de poetas escolhidos para o Disque-poesias - fone 200.2021.
Escritores preferidos. Walt Whitmann, Elizabeth Bishop, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, Guimarães Rosa, Rabindranath Tagore, Mário Quintana e outros...
* Rollo apresentou esta biografia em 1.995 - quando do lançamento do seu livro "Água Mineral".
Posteriormente sua poesia figurou no livro publicado pela Imprensa Oficial do Paraná - Passagens - Antologia de Poetas Contemporâneos do Paraná, organizada por Ademir Demarchi. Sua poesia "penso obstinadamente" foi musicada por Marcelo Brum Lemos e integra o cd "Res". Em 2.005 Rollo foi homenageado com exposição de seus trabalhos no Espaço Lilituc, anexo ao TUC (Galeria Julio Moreira). E com um Chá Poético na Fundação Sidónio Muralha, evento patrocinado pela Fundação Cultural e Curitiba, com a participação do artista plástico Hélio Leites e integrantes das oficinas do Baú de Signos.
REGINALDO ROLLO POSSETTI DE RESENDE (1965 - 1995)