Friday, February 17, 2012

same time, next year / one day





Uma agradável surpresa no Telecine Cult, noite passada. Há muito tempo vi - Tudo bem no ano que vem - o roteiro de Bernard Slade, na verdade uma Peça de Bernard Slade, o filme é de 1978, com Alan Alda e Ellen Burstyn. Quando pensava neste filme eu não conseguia recordar o título. Lembrava apenas da forte impressão que causou aquele enredo: Em 1951, em um hotel afastado, com chalés ao redor, um homem e uma mulher se hospedam. Uma dona de casa, que nunca se graduou em nada e um contador. No restaurante do hotel os dois se encontram na primeira noite. Ele está lá a trabalho, ainda faz a contabilidade do seu primeiro cliente e isto o leva aquele hotel na mesma data todo ano. Ela segue para um retiro, enquanto o marido e os filhos vão ao aniversário da sogra que a detesta. Por serem os dois únicos frequentadores do restaurante do hotel, se cumprimentam, conversam e este encontro vai engendrar uma história de amor surpreendente que os faz retornar por 26 anos, uma vez ao ano. A mudança do tempo é assinalada por sequências de imagens em preto e branco, as imagens dos acontecimentos no País situam o casal dentro do espaço/tempo. Por ser uma peça o filme lembra uma peça. O cenário é o chalé, com poucas cenas externas. Lá se desenvolve todo o enredo, com a performance dos dois é possível acompanhar o desenrolar da vida de ambos além do final de semana dos amantes. Eu era bem mais jovem quando vi o filme pela primeira vez, entendi que no enredo existia um desnudamento das relações humanas. Um casamento de nove anos e alguns amantes depois, o filme soa muito real, muito humano. Algumas escolhas estão acima do nosso sim ou do nosso não, se tivermos coerência com nosso interior, é claro. Um bálsamo assistir novamente ao filme, reconhecer-se em algumas cenas.
Buscando notícias do filme descobri que o filme - Um dia - com Anne Hathaway e Jim Sturgess repete - em alguns pontos - o enredo de same time, next year. Os dois se encontram durante vinte anos, o primeiro encontro em 1988. É uma versão moderna, o filme baseado no livro de David Nicholls. Não li o livro e ainda não vi o filme. Nada é tão simples. Não dá para dizer, bem, em 1951 uma mulher não deixava seu marido e os três filhos. O personagem de Alan Alda não deixaria a esposa e seus três filhos... Nestes tempos, parece estranho que duas pessoas que se amam não abram mão de outras hístórias para viverem lado a lado. Não li o livro, não vi o filme. Alguma razão ainda leva duas pessoas que se amam a viver em universos geográficos separados. Mas, as similaridades pedem que eu descubra como se desenrola o enredo de Um dia. algo me diz que é só mais uma comédia romântica (ou drama?) made in USA.