Tuesday, February 14, 2012

carta celeste em esperanto



O amor é uma carta celeste em Esperanto. Um céu que não se compreende. Constelações em desalinho. Temos diante dos olhos e diante dos dedos que apontam este céu que oprime, apenas códigos. É preciso embebedar-se de infinito, rasurar retina dissecando imagens, então, quiçá, replicar aquela cena do matemático Nash que tece figuras pelo céu segurando a mão da amada naquele filme Mente Brilhante. Talvez o amor seja apenas Matemática, quiçá pura Gramática. Ou matéria desconhecida que ainda não chegou até aqui. O que sei do amor? O que o amor sabe de mim? As mulheres livres não convivem muito bem com as algemas do "amor". Estes códigos, jogos, submissões. Algumas mulheres preferem isto, seguir as regras. Empoar a individualidade para não ficar sem ter alguém ao lado. Existem lições para isto, muitos conselhos. Hoje estão pululando livros. Eu os desprezo. Livros que enganam, tantos que sobem ao topo das listas dos mais vendidos. A vida? Devo dizer o que é a vida. É alcançar o objeto do seu supremo desejo e calar. Esconder nas entrelinhas da tua carne a hora gloriosa. Não. A regra é não. O sim está na moda. Tão facebook, tão ciranda de fitas. Asfixiaram o amor com o politicamente correto. E o amor não é esta falta de senso. O amor é o centro. O atirar-se sem redes. Esta doçura de doer sem dor.  O mundo me apavora. Jogo o anzol da memória e colho os amores que assisti ao vivo. Nenhum com o roteiro igual ao outro. Cada caminho tem uma cor, um cheiro, um lugar, um som. Cada pessoa tem seu próprio código e para dar de cara com isto  é preciso atingir o ápice do - humano - basta ser. Mas, vão continuar semeando corações vermelhos e fitas lilases, frases feitas, livros com a palavra - felicidade. E do que sei deste tipo de amor humano é que ele é uma luz, fagulha que despedaça, estilhaça teu coração em uma constelação invisível que vai ficar eterna em um céu (que tu conheces) e recuperas um dia, uma hora. Nada a dizer, para saber este momento, há que viver. Talvez por isto as mulheres fortes, estas mulheres que eu admiro morreram sozinhas, a grande maioria. Elas que possuiam a  força entranhada de mil estrelas em suas almas e a coragem de ir em busca da sua carta celeste pessoal. Para dizer, esta é a minha estrela, minha constelação, nebulosa de fogo, minha cama na Via Láctea... Tenho asas.

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II






Porque tu sabes que é de poesia
Minha vida secreta. Tu sabes, Dionísio,
Que a teu lado te amando,
Antes de ser mulher sou inteira poeta.
E que o teu corpo existe porque o meu
Sempre existiu cantando. Meu corpo, Dionísio,
É que move o grande corpo teu


Ainda que tu me vejas extrema e suplicante
Quando amanhece e me dizes adeus.

Hilda Hilst




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O amor é uma sombra.
Como você chora e mente por ele.
Ouça: estes são seus cascos: fugiram, como cavalos.
Sylvia Plath
 

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"Conheces a cabra-cega dos corações miseráveis?"

Ana Cristina Cesar

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Que mal amor es sus labios
El infierno es este cielo


Lila Downs
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O que eu poderia fazer sem o absurdo e sem o efêmero?

Frida Kahlo
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Quando é que o amor acaba? Se você disse que se encontraria com alguém às 7 horas e chega às 9, e ele ainda não chamou a polícia, o amor acabou mesmo.


Marlene Dietrich



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Tão logo essa palavra ''amor'' lhe ocorreu, ela a rejeitou.

Virginia Woolf

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Nem tudo precisa ser revelado.
Todo mundo deve cultivar um jardim secreto.

Lou Salomé


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'Ninguém canta com tanta pureza como os que estão no mais profundo inferno; seu canto é o que acreditamos o canto dos anjos'
Franz Kafka, em carta a Milena Jesenská


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Sáfaras noites bárbaras!
fosse eu por ti
vi'king's - cenário e fúria
nossa luxúria!

Correr coxias
Donne's - compassos -
porto in'seguro
e cuor ingrato!
De um bote ao éden
THALASSA! THALASSA!
possa essa noite ricochetear
maremotos!

Emily Dickinson
trad. Maria do Carmo Ferreira