Tuesday, May 29, 2012

outono



Outono em Paris - fonte: wikipédia



Folha de plátano
baila ao sol

Acha crepitante
desaba no solo triste

Epitáfio da folha:

Não desapareço
feito espuma nas ondas

Regenero o solo
com ternura feroz

Para colorir azaléias,
gardênias e girassóis

Bárbara Lia



Friday, May 25, 2012

Ernest Hemingway e Martha Gellhorn





 

MARTHA GELLHORN ON LONELINESS

I have my own medicine against loneliness reaching the degree of despair: I read. I read as one swims to shore—when reading anything, I am not there, and therefore not alone; I am somewhere else, in the book, with those people. Probably the reason I read mainly novels; I join other lives. And also when writing because then too, I am not there, not me, not this special mass of blood and flesh with all its tedious problems; I am a conveyor, a tool, I am living in the lives I am making. Beyond these two medicines, I have nothing. But once you accept being lonely, dearest Betsy, it becomes much easier; one is not frightened of being alone.



_ Uma produção da HBO: Hemingway e Gellorn - O escritor e sua terceira esposa durante a Guerra Civil na Espanha. Deve demorar a passar em nossos cinemas, quem sabe... No Salão Internacional do Livro eu perguntei ao Eric Nepomuceno - Em que momento os poetas e escritores deixaram de ser a voz de seu povo? Ele considerou isto um ponto positivo, aqui no Brasil. Que bom que não precisamos mais ir pedir apoio ao Chico Buarque ou Niemeyer... Sim, vivemos outro momento. Diferente dos dias obscuros. Sim, é neste ritmo que gira a roda viva. A Palestina perdeu seus maiores representantes - Mahmoud Darwich e Edward Said. O que tentei dizer, mas, naquele instante não encontrei palavras, é que os poetas não são mais ouvidos pelos "donos do mundo", ao menos é o que penso. A Globalização foi a pedra que matou a Beleza. Darwich era respeitado por outros grandes homens, bem como Said. No entanto, nem toda a Poesia e a Clareza de suas mentes, nem a obra dos dois e toda poesia palestina não foi suficiente para mudar o panorama que segue segundo as leis globais. Os acordos que acabam sempre pendendo para o mesmo lado. Uma pena. O mundo perde a chance de ser mais humano e a voz dos poetas ninguém ouve mais.

Uma Poesia na Flip





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"Umbrática Nuvem" na Antologia - Amar, Verbo Atemporal. Em fase de edição pela Rocco. Uma Antologia de Poemas de Amor organizada por Celina Portocarrero. Ela entrou em contato e pediu uma poesia inédita. Envolvida com os dois últimos romances que escrevo, a Poesia fica esperando ali, atrás da porta. Falta material. Os poemas chegam aos poucos. Da última safra, os sonetos/diálogos com Fernando Pessoa que o Rascunho publicou em Março, a poesia premiada no Prêmio Cataratas e alguns poemas de amor. Quem não tem uma paixão engatilhada nas veias pingando versos em conta-gotas? Foi desta minúscula produção que extraí este poema - Umbrática Nuvem - registro mais que belo de uma paixão.
O Lançamento da Antologia vai acontecer dentro da Flip (Off Flip).

Tuesday, May 22, 2012

Dalton


(Presente do meu amigo Pedro Carrano. Escritor e Jornalista, trabalha no Jornal Brasil de Fato. Livro de bolso de aspecto rústico, a capa com o mesmo papel do miolo. Amo livros de bolso... E livros artesanais.)


Uma manhã quando entrei na antiga Livraria Guerreiro o Eleoterio Burrego segredou com o entusiasmo nas dobras da voz, ele que é uma pessoa calma e maravilhosa - Faz um minuto que o Dalton saiu daqui. Eu disse- Jura? Eu não confessei o meu pouco entusiasmo em querer conhecer quem não deseja ser conhecido como cidadão comum e nem falar com quem não deseja falar com estranhos. Ainda assim, ficou aquela aura de mistério: O Dalton havia passado por ali. Sei que ele anda como um cidadão comum. Usa calça jeans, uma camisa simples xadrez e um boné. É assim que imagino o Dalton, como o fotografam à revelia por aí. Parabéns ao escritor. Um passo a mais em um caminho pleno. Uma lição. Que os livros belos apareçam e que os escritores se recolham. Só o que escrevemos importa. Curitiba no mapa e o frio enlaçando nossa alegria. Viva Dalton!
Vencedor do Prêmio Camões 2012.

Monday, May 21, 2012

Bárbara Lia / Remedios Varo #5

Remedios Varo - Visita ao passado



“O silêncio como um oceano laminado”


Garras negras da morte
Farpas azuis da noite
Branca coruja de tocaia
Minha mãe rezando
Na sala
Meu pai fazendo
Um cigarro de palha
Bárbara Lia
A flor dentro da árvore (2011)

Saturday, May 19, 2012

Bárbara Lia / Remedios Varo #4



Remedios Varo (Transmudo)



CANTATA FUGACE




La cantata aviva el recuerdo.
El mar feroz, la barca.
Velamen afligido, clepsidra inaugurando el final.
Adiós a los besos en tu piel de nácar.

Nostalgia, soledad de hielo.
La cantata prosigue, Eolo lancinante.
Veo la ira impregnada en la mirada
Reluciente, la frente pálida.

Pasos huyendo, tilapia
Aflicta de vuelta a las aguas.
Mi mundo arenal

Encubierto de brasa.
El perfume del sándalo me eleva
Y la cantata aviva las lágrimas – anochece.

Bárbara Lia
Cantata Fugace
21 gramas / 2011

Friday, May 18, 2012

Bárbara Lia / Remedios Varo #3




“Dentro da minha flor me escondo...”




Baile das harpias
Em árvores carbonizadas
Rindo do fim
Fumaça sangra
Nosso jardim
A alma do éden
Adoentada

Bárbara Lia
A flor dentro da árvore / 2011











para comprar este livro:
barbaralia@gmail.com

Tuesday, May 15, 2012

Rua Fogo Esquina com Rua Água





Dois dias em Foz do Iguaçu para receber o Prêmio Cataratas (2° lugar - Poesia). Um belo final de semana e a passagem pelo Salão Internacional do Livro. Conheci os poetas Rodrigo Domit (terceiro lugar) e Tatiana Alves Soares Caldas (primeiro lugar) os poetas do Prêmio Cataratas. Também Emir Ross, de Porto Alegre, vencedor da Categoria Contos. Não gosto do formato das Bienais sob a batuta das grandes editoras... Mas, foi uma grata surpresa o Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu. No Palco a apresentação de músicos locais. Uma trilha sonora eclética. Uma garota colombiana estudante da Unila cantou belamente - Paloma Negra - e outras canções latinas. Uma Professora colocou todos na roda com um tambor africano. Os estudantes dos grupos de Teatro encenaram a poesia primeira colocada e o conto primeiro colocado. É palpável o vento da Arte soprando em todo canto. Aquela aura viva que revigora. Olhando agora o Folder vejo que o meu querido amigo Marcelo Bourscheid ministrou uma oficina de dramaturgia dentro do evento através do projeto do Núcleo Sesi Dramaturgia / PR. De toda a programação estive apenas na fala do Eric na noite do encerramento e no debate da noite anterior - Do artesanal ao virtual: Consumo e Produção Lterária no Século XXI, com Reynaldo Damazio e Evandro Rodrigues do projeto Trajeto Cartonero. O silêncio poético da cidade a varrer o cansaço dos dias na capital e o barulho potente das águas estrondando nas pedras. Cerrar os olhos, e ouvir o canto da Natureza, o marulhar de espumas, a brisa que vem das águas. Contemplar a beleza das cataratas com o desejo de ficar e ficar...
A poesia do encerramento ficou por conta de Eric Nepomuceno, descartou as teorias e compôs um haicai de improviso para dizer quem era e a que vinha:

não sou ornitólogo
sou pássaro
eu só sei voar

Em um relato mergulhado em saudade, sem camuflar o seu carinho por Gabo, ele narrou belos dias ao lado do escritor Gabriel Garcia Marquez, desde o encontro de ambos em 1978 em Havana, até a convivência no México, na Rua Fogo esquina com Rua Água. Esta poesia que de tudo saltava, mesmo no endereço de Gabriel Garcia Marquez. Uma alegria saber que alguém acompanhou o escritor durante o tempo da escrita de um dos romances que eu mais gosto - O amor nos tempos do cólera. Este passeio ao lado de Gabriel Garcia Marquez foi um presente que o escritor nos deu, com sua fala cadenciada e com a poesia embutida entre as frases. Um belo encerramento para a minha curta passagem por Foz.

Foz do Iguaçu / Cataratas


Passeando pelas Cataratas - Parque Nacional Iguaçu - Patrimônio da Humanidade - registrei estas imagens...

Monday, May 07, 2012

em um mundo melhor



Em um mundo melhor - Direção: Susanne Bier - Elenco: Ulrich Thomsen, Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm. O filme dinamarquês vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro / 2011.

Relutando quanto ao novo filme que narra o triângulo - Freud / Carl Jung / Sabina Spielrein, ou ver Sete dias com Marilyn, acabei com esta surpresa que vi em casa, uma improvável alegria considerando os filmes que passam na Tv a Cabo. O filme é atual, verdadeiro, potente e humano. Os dois meninos do filme são ótimos, a trama gira em torno deste encontro dos dois garotos no colégio e desencadeia uma infinidade de eventos. O médico humanitário considera válida a aceitação do escárnio e da maldade do mundo, apelando para o perdão e para a vitória através de uma postura quase zen. Ele crê em algo que se aproxima da não-violência de Gandhi. A grande dúvida é: Devemos calar quando alguém nos humilha? Aceitar as palavras, gestos rudes, as inverdades, as indelicadezas? O médico acredita que sim, para isto ele salva o sanguinário guerreiro e não incita o filho a usar as mesmas armas dos que o assediam. Esta visão ilusória de um mundo impossível. Em um mundo melhor, quem sabe? O outro caminho, o da revanche, o não calar, o revidar... Este leva e eleva o mundo ao patamar sem glória, espiral sem fim de destroços de almas, matéria, beleza.
Em um mundo melhor este filme seria ficção. Em nosso mundo é apenas a visão exata da maldade possível, das utopias (elas ainda existem) e da necessidade de conhecer a alma das crianças. Estas potências em explosão.

Sunday, May 06, 2012

Para Camille, com uma flor de pedra


Para Camille, com uma flor de pedra - Bárbara Lia (21 gramas)


cada livro artesanal leva, agora, ao final o sumário da coleção 21 gramas

Para Camille, com uma flor de pedra - apresentação de Kátia Torres Negrisoli
Primeira poesia do livro que leva o título da escultura de Camille Claudel - Sakountala

- O projeto "21 Gramas" reúne 21 pequenos livros artesanais de poesia - inventário poético de Bárbara Lia, ao lado de outros seis livros lançados de forma tradicional.



fotos - Kátia Torres Negrisoli

Wednesday, May 02, 2012

Holocausto dos Livres - Prêmio Cataratas



"Paisagem ao Luar com acompanhamento - Serenata de Tosseli". 1958 - Salvador Dali.



Holocausto dos Livres


Hitlers sonâmbulos jogam vôlei com a lua
Afugentam pássaros, queimam ciprestes
Enquanto pequeninas Franks registram -
No escuro - o belo impregnado de pólvora:

Açucenas atiradas no cais do amanhã
Árias flutuando no esperma dos anjos
A paz silvestre de um beija-flor avelã
A sugar a rosa divina em voo distraído

Franks esmagadas no ar do ódio inócuo
Enquanto mil Hitlers de oco cego ego
Brilham ácidos no altar da prepotência

As pequeninas meninas – Annes
Franks modernas vestidas de lilás -
Escrevem trancadas em armários
Meio a ratos e candelabros de fogo

Uma arca flutuando acima de suas auras
Um graal tecido entre as tranças loiras
Escrevem contra o tempo, suam crisântemos
A ampulheta do escárnio acelerando o fim

O mundo compactua - cego contumaz -
O holocausto da beleza em andamento
Hitlers sádicos a queimar os lírios da paz
A raptar a lua para iluminar seu bacanal

Bárbara Lia
Prêmio Cataratas de Contos e Poesias (2012) - 2º Lugar