Tuesday, August 26, 2014

Respirar






O ideograma que integra meu novo livro representa a palavra Ch’i: gás, ar, respirar... Achei linda a simetria, e ele é o signo do livro - Respirar. Os minaretes o simbolo das alturas. Respirar o ar mais puro. Existe no livro um capítulo com poemas curtos dialogando com a natureza e os ideogramas correspondentes: pássaro, formiga, libélula, vida, gafanhoto...










Pássaro#3




A poesia para um pássaro é rude
Para uma flor é ofensa e asco –
Só o homem persegue a Poesia
A natureza É, e por isto ela cala
Só o homem fala e imprime
O espanto de viver neste chão
Sem asas para voar. Sem pétalas
Para perfumar quem ama

Respirar / Bárbara Lia
página 108


Thursday, August 21, 2014

estou descalça no mundo e sou minha própria casa








"Te apresento
a mulher mais discreta do mundo: essa que não tem nenhum
segredo." Ana Cristina Cesar


Nasci sem velcro. Não grudo em nada e em ninguém. Quando me apaixono, detono tudo, pra seguir só. Nasci e andei sem companhia desde os... Três anos? Minha primeira fotografia assinala uma vida inteira: uma menina descalça em uma rua, sem ninguém... Amo estar só. Sou só. Acho que sou um corpo estranho em todo lugar. Estrangeira, sempre. Nasci sem velcro. Ainda tenho três anos e estou descalça no mundo, e isto parece triste, mas, tem um universo inteiro aquém da testa da menina... E quem tem um mundo pode ser que não goste deste além da pele, sei lá... Só acho que felicidade e amor e vida e família e esperança, estas coisas pelas quais todos lutam, pra mim tem um rosto que difere do que pintam... Por conta disto descartam-me. Alguns familiares, velhos “amigos”, poetas, amores... Sou eu e meu silêncio, Ainda assim, sou terna e suave. Romã de núpcias, nuvem de Picasso, céu baunilha, perfume lavanda de enxoval de bebê... Eu sempre fui assim, delicada, simples... Quem me vê tão só faz este juízo de aura malévola. Pessoa horrível. Não é nada disto. É que nasci sem aderência, acho que tenho asas, acho que ainda tenho três anos, estou descalça no mundo e sou minha própria casa.


...Bárbara Lia sem velcro, desconectada neste mundo mais que atado...

Tuesday, August 19, 2014

Rollo de Resende




Rollo de Resende (Reginaldo Posseti de Resende)
nasc. 15/8/1965 -Em Cambará-Pr. 
pass. 23/8/1995 em Curitiba Pr.

MOSTRA- JARDINS DO SENHOR ROLLINHO
Espaço Lilituc (Gruta Contemporânea Santa Helena Kolody)
Anexa ao TUC - Curandeiro- hl*
De 15/8/2014 a 15/10/2014

Obras publicadas:
"Bem Que Se Aviste Racho de Romã" (Pela fundação Cultural de Curitiba-1988
"Homeopoética"(Casulo Provisório Edições- 1992) Em parceria com Jane Bodnar e Fernando
"Água Mineral " (lei municipal de Incentivo à Cultura - FCC- 1995)
Hl pelo Povo do Botão
Comemoremos Companheiros !!!

*Hélio Leites


Saturday, August 16, 2014

Postais - Respirar

Os poemas nos postais não são inéditos. Eles não faziam parte do meu momento de diálogo poético com Emily Dickinson, e não entraram no livro - A flor dentro da árvore - decidi incluir em RESPIRAR. Pela leveza poética e pelo meu desejo de não deixá-los de fora de livro impresso de forma tradicional:




















versos finais de - Canto Sagrado de Estrela e Flor

Friday, August 15, 2014

escritos artesanais







 Christian Schloe




Há três de mim. Há o cenário. Uma igreja pequena. Os atores. Pálidos e mumificados ouvindo a voz do pregador. Há um perfume de incenso e há um coro que só canta quando o pregador acena, levanta a mão, maestro tosco. Há um ranger de madeira de bancos velhos, mas não ouço o ranger de almas. Minha alma range desde que eu era menina. Hoje vivo à direita de mim, livre. Já escapei do cenário. Eu disse – Há três. Uma que todos vêem em pé, esgueirando-se pelas paredes onduladas do templo. Uma que está ali sem estar, a viver como uma obrigação, para não ferir quem a ama, fica ali, ouvindo as pregações. Ajoelha, arrepende, reza, comunga e até canta. Há aquela que está no limbo. Uma névoa líquida fria e esponjosa que envolve em uma dança estranha, quase bonita, quase assim aquele retrato de Isadora Duncan. Voando entre o tecido, linda. No limbo não sou feliz, no templo não sou feliz. Só a terceira que esgueira para fora e explode o peito de ar limpo e azul, esta que ninguém vê. A invisível.  A invisível é feliz, esta que ninguém conhece. Que ninguém chicoteia como ao Cristo. Que ninguém julga: Pilatos aos borbotões. Esta que ninguém prega na cruz. A que as suas sementes conhecem e a amam. Aquela que o amado tocou, em silêncio. A terceira é o ar o azul o pássaro a cópula o colo maternal a misantropa. A terceira que ninguém conhece. A terceira que só os que amam conhecem. O frio ondulado das paredes causa artrite. Toca o sino e a hóstia é erguida. Sacrifício. Vou ter que ficar aqui.

Bárbara Lia - da série de livros artesanais.

Monday, August 11, 2014

Contagem regressiva para Respirar







Dia 04 de setembro, nascimento de Artaud, data prevista para sair da gráfica o novo livro de Poesia. 
Capa - Aquarela de André Lissonger, que toma o livro todo, com cada um dos minaretes da Mesquita de Curitiba em frente e verso. 
84 poemas, creio que uns 30 inéditos em qualquer meio de publicação. 
Respirar é o sétimo livro de Poesia, sem contar os artesanais... 
Já estou vivendo aquela ansiedade de ver o livro pronto. 
Aguardando ISBN.

Saturday, August 09, 2014

O trono das Araucárias

Miguel Bakun



Jaques Brand entrevista Adriano Smaniotto... E em  um determinado momento Smaniotto diz:
Recentemente um professor da UFPR apresentou três amigos dele como continuadores do Leminski (eu mereço!). Depois do Leminski há trinta poetas dignos de nota, mas se ele admitir isso, seus amiguinhos perderão o trono.

entrevista completa no Jornal Relevo:

http://issuu.com/jornalrelevo/docs/relevo_agosto_2014


A incrível terra das Araucárias. Um lugar improvável, onde brotam poetas de estilos vários, homens e mulheres. As mulheres mudam-se, as mulheres com potencial poético não conseguem RESPIRAR meio ao avassalador cenário. É esta impressão que dá, quando poetas curitibanas de primeira linha como Alice Ruiz e Greta Benitez não estão mais por aqui. Bia de Luna morreu. Eu, comecei tarde, com holofotes logo na estréia, com a luz veio as mariposas... Apagar a luz para evitar as mariposas? Nada sei. Nada quero dizer.  Vivo, como viveu o poeta desta entrevista, o estranhamento. Uma pequena dor ao ler textos tendenciosos. O silêncio. O silêncio eterno. Dê sua resposta com Literatura, disse uma amiga. Ainda que abale saúde, rasgue retina, e boicote seu espírito guerreiro. Seguir. Isto não é uma resposta. Isto não é uma pergunta. É só partilha, ao perceber o quanto pode ser cruel com uma infinidade de Poetas algumas posturas. Não apago a luz. Não acendo a luz. Escrevo. E sempre foi assim, tudo que aconteceu comigo foi por conta da Poesia. Prefiro assim. Deve ser avassalador existir apenas e quase que tão somente pela louvação de amigos. Isto eu não quero para mim.

Saturday, August 02, 2014

Respirar - Bárbara Lia






Respirar - Bárbara Lia
Poesia 
128 páginas
edição do autor


capa - frente e verso - desenho de André Lissonger: Minaretes e Para-raios




"Respirar" *novo livro de Poesia/128 páginas, 80 poemas, 30 poemas cem por cento inéditos. Edição do autor. No caso, da autora. Para celebrar dez anos da impressão do livro de bolso - O sorriso de Leonardo - primeira publicação. A capa traz a Mesquita de Curitiba, desenho de André Lissonger dentro do projeto Croquis urbano. Obrigada André, por liberar a imagem. Queria sinos de vento, ou cata-vento, algo que flanasse ao vento, que evocasse ar - respirar. Encontrei este desenho e fiquei encantada. O desenho vai tomar a capa e a contra-capa. Um minarete em cada uma delas. Reuni 12 poemas da série - musas de acetileno - que já apresentei no Vox Urbe e alguns foram publicados no site - Mallarmargens - seis sonetos dialogando com heterônimos de Pessoa, 03 deles já publicados no Jornal Rascunho. O livro abre com alguns poemas do livro - O sorriso de Leonardo - para relembrar a estreia. A esmagadora maioria dos poemas é mesmo inédita em livro. 

"Quando entrar setembro..." 

edição limitada de 100 exemplares, quem desejar reservar um exemplar é só escrever uma mensagem para barbaralia@gmail.com.