Saturday, February 28, 2015

em linha reta





Viver é habitar reticências...

Bárbara Lia
(em linha reta)

Wednesday, February 25, 2015

+ um poema antigo

Blue-Ash Man

Blue-ash man passava dias sob o sol colhendo hortelã & anis
E noites lecionando inglês para meninas apaixonadas
Olhar azul escuro bordado de luar pele canela com gosto de pecado
Blue-ash man deve estar velho alquebrado e triste
Não mais o corpo Adônis colado ao meu ao ritmo de My Mistake
Em varandas chorando verde de samambaias e esperanças
- Na semana toda eu levava aquele aroma curativo que transmigrava
da pele dele para a minha -
Blue-ash man perfumado de calmante. Lábios de cuba-libre
- Dois corações errados e dois corpos tão certos –
Dançando ao ritmo de Pholhas:
“I am paying for my mistake”



Tuesday, February 24, 2015

Um poema antigo



Uma canção de amor para Bobby Long




Plantei
Três sementes
De delicadeza
                                              
Devo dar-te uma flor
Quando o umbigo florir
Bobby Long! 

Inverno de capim rosa
E poemas profanos
O diálogo invisível
Os teus arroubos
O meu sonho estranho
Remember, Bobby Long?

Quero o vento no capim-rosa.
Cobrir com lágrimas
A fissura que cortou nossa beleza.
Regresse chutando a porta
(como é teu hábito)
Alçando alto
Tuas asas indignadas

Chute a mesa
O balcão
Chute o chão
As nuvens
Bíblia
Alcorão

Rasgue de novo
A pele do meu coração
Pesque a lágrima que é só tua
Que é só minha...
Tantas lágrimas,
Bobby Long!

A gangorra do espanto alinhada
A linha estendida onde só cabem nossos pés

Nesta cena só cabe nosso sangue e suor.
O que fazem estranhos a dirigir nosso drama?
Rindo do meu amor mais dolorido que novena?
Marionete rebelada
Corto os barbantes, revoltada.
A cena é minha
O amor é meu
Meu medo é teu
Tua dor é minha
E quando tudo explode
É pra você meu grito e sal

Plantei
Três sementes
De delicadeza

Quando a flor florir,
É tua
Bobby Long

As flores nascem no umbigo
Regadas de sêmen/orvalho
À revelia dos lúcidos

Bobby Long

Bárbara Lia
Jardim Nonsense
21 gramas 2014

Sunday, February 22, 2015

Um poema do livro "Respirar"






O Céu azul, não era
Dessa cor, antigamente;
Era branco como um lírio,
Ou como estrela cadente.

Florbela Espanca





Céu de rosas desfolhadas por Apeles
E sol mãos de assassino a pousar
Nas felizes casas brancas do mar

Amar esquecer amar esquecer
Amar de novo, esquecer outra vez
Restos da ave de aço em seu túmulo

A luz bruxuleia e Espanca
A chuva ainda é velha amiga
O céu se abre em lírios e estrelas
E a Flor bela ainda nos sussurra:

     “Uma alegria é feita dum tormento,

    Um riso é sempre o eco dum lamento”

Bárbara Lia 
Respirar (2014)
Página 45



* para encomendar o livro - barbaralia@gmail.com