Friday, August 05, 2005

O rio da minha aldeia



O rio da minha aldeia
Bárbara Lia
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O Tejo nunca passou pela minha aldeia. Terra vermelha e sol. O rio que me batizou ficava na rua da chácara do leiteiro. Primeiro abraço. Gelou as magras pernas, revelou mistérios - riacho com gosto de Deus. Adulta, cruzei rios de dimensões imensas. Pontes imensas que não trouxeram Deus. Deus vive nas pequenas coisas. Os grandes rios são catedrais. Deus às vezes se exila, percorre milhas, para acariciar anjos em riachos tristes.