Wednesday, April 26, 2006

abril

Claude Monet:
















"Quando abril com suas chuvas gentis
ensopa as secas de março até a raiz..."

Chaucer



ABRIL


Cristal de fogo este sol de abril.

Felicidade ardida em oposição
à esta mágoa fendida.
Cerro negras cortinas,
na penumbra rasgo fotos
do passado.
Em rotação errada
nas paredes da memória

a mesma antiga declaração
dos homens sem imaginação:

"Bárbara Bárbara
Nunca é tarde
Nunca é demais”


Há que alguém me amar

sem desafinar letra e canção?
Como um barco sobre o Tejo,
como rosas se abrindo no chão.
Asas de colibri,
fogos de São João.

Uma canção
que não seja tarde;
nem demais.
Que seja abril
nada mais.

Bárbara Lia


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