Monday, May 08, 2006

3. MENINOS DE 1.944

3. MENINOS DE 1.944























Chico Buarque (foto - joão wainer)
19.06.1944

Cala a boca, Bárbara
Chico Buarque - Ruy Guerra
/1972/1973
Para a peça Calabar de Chico Buarque e Ruy Guerra


Ele sabe dos caminhos
Dessa minha terra
No meu corpo se escondeu
Minhas matas percorreu
Os meus rios
Os meus braços
Ele é o meu guerreiro
Nos colchões de terra
Nas bandeiras, bons lençóis
Nas trincheiras, quantos ais, ai
Cala a boca
Olha o fogo
Cala a boca
Olha a relva
Cala a boca,
Bárbara
Cala a boca,
Bárbara
Ele sabe dos segredos
Que ninguém ensina
Onde guardo o meu prazer
Em que pântanos beber
As vazantes
As correntes
Nos colchões de ferro
Ele é o meu parceiro
Nas campanhas, nos currais
Nas entranhas, quantos ais, ai
Cala a boca
Olha a noite
Cala a boca
Olha o frio
Cala a boca, Bárbara
Cala a boca Bárbara.


- Sem poesia para Chico. Diante da arte dele tudo cala.
Tarde aprendi que algumas coisas não cabem dentro
das palavras.
Isto lembra Mia Couto:
"Diante do amor
ela arrepiou o coração:
não tenho asas para tanto paraíso"