Friday, September 08, 2006

ask the dust





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ASK THE DUST (2.006)Colin Farrell (Arturo Bandini), Salma Hayek (Camilla)

"Para uma princesa maia, de um gringo imprestável", a primeira dedicatória de Bandini para Camilla, na revista "The American Mercury".
Confissões de Bandini, para alguém que não é Camilla:
"Ela é perfeita como o tempo, o ar, a neblina e o eucalipto... a empoeirada luz solar. O lugar perfeito para se viver"
"Por que eu me daria ao trabalho de machucar você? Eu nem a amo."

...
Pensei em não ver ao filme, não nublar a obra de arte, ia me tirar daquele cenário que eu compus e que sonhei muitas vezes, sendo um pouco Camilla, com uma sandália que atrai os olhos do amor... A minha era azul e de tanto que eu amava, eu a surrei por caminhos, até que ela esgarçou. Devo guardá-la, devo guardar qualquer objeto onde o amor tenha pousado o olhar, ou a voz, ou os lábios...
Realmente não delirei com o filme, mas, com as palavras de John Fante, de novo caindo como caiam naquele tempo que eu nem lembro se era inverno, verão, ou primavera, em que passei ao lado dele, por todos os lugares. Nem colocaram no filme a cena onde ela rasga os sonetos de amor que ele escrevia, dentro do café, e ele espiando, através do vidro, o escárnio dela. Não era o meu Bandini, nem a minha Camilla, mas, foi uma forma de recordar o livro e de ter desejos de ler outra vez...

Quando li o livro fixei cenas - as sandálias de Camilla, dormir nua abraçada com o amor, sem fazer amor, um olhar de desespero rastreando o Mojave, em busca de uma menina com seu cão. Do escritor que mostra a todo mundo o único conto publicado. Fixei um lugar, dois seres abandonados, ferindo-se até o final, tentando entender as mãos que moldam, as mãos que moldam o vidro, no fogo. Esta mão que nos tritura e gira e aquece, como vidro na fornalha ardente, e nos faz da forma que quer. A mão do amor.