Sunday, May 13, 2007

"FELIZES OS FELIZES"

Ocorreu-me este verso de Borges "Felizes os felizes" quando vi o duplo crepúsculo: em terra - na decolagem - e acima das nuvens, o fogo círculo solar morrendo em uma floresta de nuvens, copas trepidantes: again again again again. Antes a praia de Botafogo, a partida, depois da passagem relâmpago pelo Rio. Falar de Dali com Gustavo Saba, ter a acolhida terna dele e da Clauky. Antes, perceber que o ar nem respira no Barteliê da Tetê, ler as poesias e descobrir que é isto - não há saída. Sou poeta pela vida. Ter instantes amenos no Rio, uma parada zen, depois de uma escalada louca de uma semana que termina com um quadro surreal, logo depois da conversa com o Saba que pinta inspirado pelo seu mestre Dali - o céu do retorno um quadro que guardo como poesia. O cobalto e a estrela vésper, a minha estrela bem mais perto, o horizonte incendiado acima das nuvens densas que são mesmo este oceano leve, como se me esperasse a leveza de dias surreais, estas belezas tantas. Não fui ao Rio para lançar - A última chuva - estes são pretextos que a vida usa para nos mostrar o que realmente importa... fui para dar uma parada ao lado do lúdico, encontrar pessoas lindas, lembrar outras mais belas, e regressar dentro de um quadro de Dali, branco-cobalto-fogo. Dentro da minha profunda dor e estranhamento de ser quem sou, sou feliz. Por isto Borges me sussurrou, mal sentei ao lado da minúscula janela-tela: Felizes os felizes.