Sunday, June 03, 2007

ORGULHO DA HOLANDA























TECENDO ESTRELAS DE VAN GOGH


Estrelas escorriam da tela,
na solidão do museu.
Aparei gotas de céu em minhas mãos.
Enovelei-as.
Possui por um tempo,
Estrelas abrasadas de loucura
e o azul mais azul que pode o azul ser.


Museu de Nova Iorque
em delírio.
Corre-corre. Alarmes. Vigias.
Não revistaram minhas mãos.
Um céu enovelado que me aquece
e apaga – primaveras sem teus beijos,
invernos de angústias.


Teci um manto azul
de estrelas emaranhadas,
um manto enfeitiçado.
Das estrelas da noite do artista.
Tenho mãos de fada.
e tenho tanto amor,
quanto estas estrelas deslumbradas.


Quando chegar aquele que amo.
Com seus olhos
que são para mim, música;
e para outros, mel.
Quando ultrapassar a escura porta
e se quedar no branco leito.
Eu o cobrirei com o céu.
















CAMPOS DE TRIGO


Os campos de trigo continuam azuis a florescer pássaros
e acalentar o pão que aquece a alma
de quem ama e de quem não ama.
Os campos de trigo seguem embalando a lua
com uma sonata ao futuro sem fome.
Os campos de trigo esqueceram Van Gogh,
pois não há mais dor no homem.
É tudo realidade consentida.
Ninguém mais ergue sua obra para que o mundo
floresça em primaveras
que o artista não pode viver.
Nem mil girassóis de Van Gogh
vão calar a dor que assola
Ninive, Candahar, Bagdad,
o sertão, o chão desumano da Pátria,
Nigéria, Haiti, Etiópia...
Os campos de trigo não necessitam mais espantalhos.
O homem não necessita mais proteger o coração
para que o amor não o devore.
Pois o amor foi sepultado na última primavera.
Espantalho colorido
alardeando um campo-minado-coração,
varrido pelas máquinas da indiferença que regem
o sarcástico-mundo-cão.

Os campos de trigo, indiferentes,
seguem solares,
seguem em chama,
espalhando grãos,
dançando ao vento das almas ignaras.





























O ARTISTA E A ARTE


Século XIX
Vincent,
O vento mistral derruba tuas telas.
Não tens dinheiro para as aquarelas.
Théo vendeu um único quadro teu.
Todas as amadas te dizem adeus.

As estrelas não são como as pintas...
Arlens não te suporta, louco artista!
Há em ti um fulgor que ninguém alcança.
Nem sabem que és louco de tanta esperança.


Século XX
Van Gogh,
Teus quadros valem milhões.
Teus girassóis estão em toda parte.
Nos museus do mundo.
Na sétima arte.

Orgulho da Holanda.
Tua ruiva fisionomia, o triste olhar.

A mensagem implícita na vida, nas telas, nas cartas.
A todos que perseguem a arte.

NÃO DESISTA!

BÁRBARA LIA

p/Vincent

Estas poesias inspiradas em Van Gogh foram publicadas em 2.005 nos Sites Literários Cronópios e Blocosonline.