Tuesday, May 15, 2012

Rua Fogo Esquina com Rua Água





Dois dias em Foz do Iguaçu para receber o Prêmio Cataratas (2° lugar - Poesia). Um belo final de semana e a passagem pelo Salão Internacional do Livro. Conheci os poetas Rodrigo Domit (terceiro lugar) e Tatiana Alves Soares Caldas (primeiro lugar) os poetas do Prêmio Cataratas. Também Emir Ross, de Porto Alegre, vencedor da Categoria Contos. Não gosto do formato das Bienais sob a batuta das grandes editoras... Mas, foi uma grata surpresa o Salão Internacional do Livro de Foz do Iguaçu. No Palco a apresentação de músicos locais. Uma trilha sonora eclética. Uma garota colombiana estudante da Unila cantou belamente - Paloma Negra - e outras canções latinas. Uma Professora colocou todos na roda com um tambor africano. Os estudantes dos grupos de Teatro encenaram a poesia primeira colocada e o conto primeiro colocado. É palpável o vento da Arte soprando em todo canto. Aquela aura viva que revigora. Olhando agora o Folder vejo que o meu querido amigo Marcelo Bourscheid ministrou uma oficina de dramaturgia dentro do evento através do projeto do Núcleo Sesi Dramaturgia / PR. De toda a programação estive apenas na fala do Eric na noite do encerramento e no debate da noite anterior - Do artesanal ao virtual: Consumo e Produção Lterária no Século XXI, com Reynaldo Damazio e Evandro Rodrigues do projeto Trajeto Cartonero. O silêncio poético da cidade a varrer o cansaço dos dias na capital e o barulho potente das águas estrondando nas pedras. Cerrar os olhos, e ouvir o canto da Natureza, o marulhar de espumas, a brisa que vem das águas. Contemplar a beleza das cataratas com o desejo de ficar e ficar...
A poesia do encerramento ficou por conta de Eric Nepomuceno, descartou as teorias e compôs um haicai de improviso para dizer quem era e a que vinha:

não sou ornitólogo
sou pássaro
eu só sei voar

Em um relato mergulhado em saudade, sem camuflar o seu carinho por Gabo, ele narrou belos dias ao lado do escritor Gabriel Garcia Marquez, desde o encontro de ambos em 1978 em Havana, até a convivência no México, na Rua Fogo esquina com Rua Água. Esta poesia que de tudo saltava, mesmo no endereço de Gabriel Garcia Marquez. Uma alegria saber que alguém acompanhou o escritor durante o tempo da escrita de um dos romances que eu mais gosto - O amor nos tempos do cólera. Este passeio ao lado de Gabriel Garcia Marquez foi um presente que o escritor nos deu, com sua fala cadenciada e com a poesia embutida entre as frases. Um belo encerramento para a minha curta passagem por Foz.