Sunday, March 08, 2009

mujeres

Mi vestido cuelga aqui - Frida Kahlo - 1933.
Papilla Estelar, 1958, a pintura de Remedios Varo.


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Um arrepio de emoção, pousar o olhar em um quadro de Frida Kahlo um dia antes do dia das mulheres. O vestido que ela pintou entre uma infinidade de signos novaiorquinos, um carimbo de sua etnia e força tolteca, evocação de sua saudade. O vestido em um varal que se estende entre um vaso sanitário e uma ânfora com uma fênix no alto. Um presente único neste dia que eu ouso celebrar: Ser mulher! Gosto desta fase de Frida, onde o tumulto e o estranhamento com outro país suscitou o quadro que está nesta exposição, o outro onde Diego despenca de um prédio, o outro onde o dedo necrosado sangra na banheira. No sábado uma festa que antecipa o dia de todas as mulheres. Quatro Mulheres. Um passeio ao museu, um jantar à luz de velas. Crepes & Martinis. Quatro Mulheres. Neuza Pinheiro me apresentou Shirley K. e Ana Machado. Uma tarde/noite de belezas. Os quadros todos belos, mas, como a compactuar este instante com as pintoras eternizadas ali que certamente comungam conosco a hóstia de fogo a vida o vôo o sonho o espanto, na exposição não me detive em Orozco, Siqueiros, nem mesmo em Rivera. A grandiosidade dos muralistas mexicanos esqueço, para contemplar a fêmea tessitura, o vendaval surreal desta mulher que me domina e a candura de uma outra mulher alimentando a lua com uma papinha de estrelas moídas. A ternura do coreto de madeira (amo coretos!) flanando no espaço meio a um mar de estrelas. A lua na gaiola - pura poesia. A lua é só uma criança faminta, devo lhe dizer - tu que temes a lua.
Dia da mulher, estou em São Paulo, é no Instituto Tomie Othake que acontece a exposição - Latitude: Mestres Latino-americanos. Confesso que quem me levou até lá foi Frida, mas todo o acervo está bem bonito.