Sunday, October 25, 2009

Estante #28


Há noites a desviarem imperceptivelmente o podador enxameado de sol
para morderem o compromisso dos fluidos na estrada branca
como colérico Agosto coado nos cabelos combatentes das raparigas
Estes peixes luminosos enfaixados na aventura essencial das árvores
dançam na meditação das barragens
até se dissolverem na prosperidade dos olhos nocturnos
Estas vagas dilaceradas vergastam um alfabeto de iluminações
na penetração medicinal das sombras
e as difusas muralhas de orvalho levantam-se nas cinturas
de fruta para rolarem no areal argiloso das coxas
e uma das raparigas sustenta incompreendida
todo o corpo do verão nos peitos demasiadamente aromáticos porque
singra puramente nas virações das águas bravias
onde a cúpula lenta das espigas se cerra com os relâmpagos de nácar
cheios de pássaros pontiagudos

O EXTERNO TATUADO DA VISÃO
LUIS SERGUILHA
editorausência, 2002