Thursday, April 28, 2011

O Real



Tenho MUITA dificuldade com o virtual. Gosto do Real. Ainda ontem eu pensava na minha vida estranha e plena de descompassos. Eu tenho um blog e adoro ter um blog. A questão é que - neste momento - não tenho nada a declarar.
Hoje senti afinidade com uma mulher que nem sabia que existia, hoje pela manhã,  na HBO - Public Speaking. Um documentário de Martin Scorcese com uma autora norte-americana - Fran Lebowitz. Ela transita por Manhattan, mas, não curte o Twitter. Lembro que eu repelia o orkut, por conta do excesso de convites, aderi. Não apareço mais por lá. Aderi ao Facebook e tenho mil amigos no Facebook. No entanto, tenho dificuldade, pois só sei falar ao vivo. As pessoas me convocam para o virtual. Ninguém vem ao vivo, sentar em um lugar e falar do dia. O vento real que belisca nossos cabelos. A dor no pé por conta e um sapato que incomoda. A lua bonita que brilhou na noite anterior.
Falta um pouco de coragem, pra deletar tudo.
Menos o blog.
O blog é como um lugar que é só meu.
E adoro lugares que são só meus, que foram só meus.
Pessoas que são minhas, quem dera fossem apenas minhas.
Adoro lembranças minhas, estas são apenas minhas e de quem vivenciou ao meu lado.
Coisa mais mágica e misteriosa o que algumas pessoas dividem.
Dá vontade de convocar um momento, um encontro e perguntar:
Aconteceu? Vivenciamos aquilo? Aquilo que é mais que filme de Fellini. Mais que quadro de Van Gogh? Arte e beleza unidas. Aconteceu?
Sim, aconteceu.
É isto que eu chamo - Real.
Na verdade, eu amo o Real.
Um tempo eu tinha sérios embates com as pessoas. Algumas achavam que eu queria tomar para mim a verdade, ou, alguma verdade. Não abro mão da minha verdade. Ela, no entanto, nada significa na grande ordem que rege o mundo e os planetas.
Há algum tempo ando muito Caeiro. Ando bebendo a alma nihilista dos personagens de Fernando Pessoa.
Hoje eu quero apenas contemplar, aproveitar o dia.
Não abro mão do Real.
Hoje eu sei que amo absolutamente o Real.
Logo eu que sou poeta lírica.
Que crio mundos, universos, e vivi uma infinidade de amores platônicos.
O Real me fascina.
E quando acordo e lembro algo Real, que além de Real foi Belo, eu penso - Vida, você vale a Pena...

...

Ano passado escrevi um romance que está em um destes concursos. Agora, estou lendo a obra de Fernando Pessoa. Um livro de poesias inédito está em um "outro destes concursos"
Vez ou outra penso abrir mão dos concursos. Eles acenam e são abertos. Para quem tem muitas portas fechadas e muitas caras fechadas em uma cidade fechada... Vou aos concursos.
É que escrevo e nada posso dizer. Não posso dizer os títulos dos meus livros, seus enredos e tudo que deles emana. E de publicável mesmo, tenho o título de um livro de poesias - A flor dentro da árvore.
Da produção minha, um outro título de poesia. Dois romances, um livro em fase de germinação.
Para quem acompanha meus passos.
Que me perdoem a absurda sinceridade.
De ser quem quer a vida ao vivo.
As coisas ao vivo.
Sentir o bafo da vida ao meu lado...
O virtual torna todo mundo unido por um fio que não existe.
Então, estamos mesmo a sós.
A sós, como sempre estiveram os homens.
Somos uma fala.
Uma voz que flana, sem corpo.