Tuesday, September 06, 2011

A segunda morte de Herberto Helder







"nossas mães nascendo em campos de silêncios
onde é longo o sonho
onde nos sentamos como um nevoeiro,
ao sabermos do nítido momento da nossa morte,
a criança-relâmpago
tenta em vão
despertar o fogo na água."

A segunda morte de Herberto Helder - Marcelo Ariel
21 gramas/2011 - pg. 13





'O presente volume evidencia, portanto, aquilo que Marcelo Ariel já vinha dizendo. Sua dicção e imagética sempre foram helderianas, a exemplo deste trecho de “No ultrassonho”: “Estamos dentro de um açougue chamado corpo / de um aquário chamado mesa ou cérebro tocando o ar nas árvores / através de um copo até tocar esse osso do oceano em nosso olhar”. Em comum com o extraordinário poeta português, a fusão ou hibridação de objetos e seres vivos, a ruptura de limites das coisas e dos corpos, as imagens luminosas como “osso do oceano”. A segunda morte de Herberto Helder, mais que etapa, é prosseguimento do mesmo registro de encontros com a “poderosa presença entrando / pela porta”, metáfora da poesia, e a “beatitude louca / de respirar tudo”, metáfora da inspiração poética."

fragmento do texto de apresentação do poeta Cláudio Willer


 
O livro - A segunda morte de Herberto Helder - do poeta Marcelo Ariel integra o meu projeto 21 gramas. Foi no início de 2010 que cheguei ao formato final dos livros artesanais.
Este projeto nasceu do desejo de organizar meus poemas (virginiana!) recolhendo os que não foram impressos em livro e separando-os para deixar um registro da minha poesia. Foi uma experiência belíssima, que pretendo retomar quando minha saúde melhorar e quando eu puder voltar a me dedicar sem nenhum percalço aos artesanais.
O livro do Marcelo Ariel tem prefácio do poeta Cláudio Willer.
Segue o email do meu querido amigo Marcelo, para quem desejar esta bela obra, esta poesia helderiana:


marcelo.ariel91@gmail.com