Friday, March 09, 2012

Chá com as borboletas - Série Diálogos Poéticos (VI)

Penelope Dullaghan   -    http://penelopeillustration.com/




Canção para um Homem e um Rio



Porque era um homem sincero
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas sincero não era
era só homem
e deixei nos junquilhos a esperança
de dar à minha espera serventia.

Porque era um homem forte
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas forte ele não era
era só homem
e entre pedras deixei o meu desejo
de abandonar o arado, a forja, e a lança.


Porque podia me amar
eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas amante não era
era só homem
e na água afoguei a minha sede
de palavras mais doces que ambrosia.


Porque era um homem
só homem
eu o levei ao rio entre junquilhos.

Marina Colasanti
Rota de colisão (Rocco, 1993)





*****



Inverno em minha Homestead
Meu coração um romance
Que nunca termina
Enquanto embalo a esperança
Que o sol pálido se fortaleça
E aqueça a cidade
Ouvindo Rita Ribeiro
Em um poema de Hilda Hilst:

"É bom que seja assim Dionísio, que não venhas"

Deus no orvalho
- 21 gramas / 2012



Ode descontínua e remota para flauta e oboé, de Ariana para Dionísio. Poesia: Hilda Hilst. Música: Zeca Baleiro - Canção I: