Monday, April 23, 2012

e-book: sim ou não?



Nos últimos meses recebi meia dúzia de convites para editar meus livros em e-book. As editoras que estão entrando neste mercado apostam neste caminho. Eu vejo o e-book da mesma forma como vejo os livros tradicionais e foi a minha resposta a um dos que fizeram a proposta para mim. Colocar no site Amazon, é legal, mas, as pessoas seguem adquirindo livros de autores consagrados. E as editoras não se propõem a divulgar sua obra, é uma tarefa que acaba sobrando para você. Acredito na mudança que ocorre, pretendo algum dia publicar neste formato. Para um futuro breve, sim. Analisar com cuidado e tentar um editor que confie na tua obra e diga que viu potencial nela, e por esta razão, ele mesmo a publique. Na verdade não tenho como investir nestas demandas por ora. Tive outra crise de hipertensão em março e isto está preocupando a mim e meus filhos. Tudo que tenho e que a Literatura concede eu investia na Literatura, no momento tudo que tenho e o que não tenho vai para médicos, remédios e plano de saúde...
Voltando ao e-book... Um pequeno livro meu está no Site Germina. Lindo, eu adorei esta possibilidade. No entanto, ainda não me encantei com as propostas. Para isto é preciso tempo. Esperar que alguém confirme o diferencial de seu trabalho, então, colocar os poemas em livros digitais. Deixar os livros impressos para as bibliotecas, os museus do futuro? Não, não creio. Os livros são eternos.
Hoje é Dia do Livro! Tudo a ver falar em livros e Tolstoi.
Sigo pensando nisto, na importância dos livros. Meus amigos e infância, companheiros de juventude, abrigo na maturidade. Estou imprimindo os livros da coleção 21 gramas em seu formato definitivo. É vital para mim sentir entre os dedos, a materialidade, esta poesia em algum lugar que não seja minha alma e a internet. Não sou blogueira e não creio em uma categoria = poesia virtual = poesia é poesia. Não importa o veículo onde ela trafega para chegar do autor ao leitor. Não existe divisão, não há como fatiar a poesia. Sou toda palavra, sou tão palavra que não curto os concretistas e não sou fã da dita Poesia Visual. Gosto dos descaminhos do verbo, dos labirintos das metáforas, dos vôos que as imagens imprimem, palavra a palavra.
Sigo em dúvida quanto aos e-books, com a certeza absoluta que milhares seguirão adquirindo e-books de Paulo Coelho e livros/chá de capim cidreira. O que é afinal um livro de auto-ajuda? Um chá que dá uma sensação de bem estar em um segundo e depois os sintomas estão todos lá. A única coisa que cura o Homem passa pelo AMOR. O único real, assim, com letras grandes. Neste final de semana assisti ao filme - A última estação. Uma maravilha que joga para debaixo do tapete as coisas pequenas, as dúvidas, todas as alegrias e insatisfações. As grandes causas diluiram - uma a uma. Nada como um filme assim para apontar o essencial. Enquanto não defino meu caminho quanto aos e-books, sigo imprimindo os artesanais e A flor dentro da árvore. O novo livro de poesias (fotogramas em flor de algodão) deve encontrar uma editora "normal", bem como o romance que terminei em 2012. Não vou publicar o título, quem sabe eu esqueça a promessa de nunca mais participar de concursos e o envie para um concurso de romances. Enquanto os dias navegam cinzentos, construo um novo enredo, mais que atual, em tempo real. Envolve uma garota sem memória, as comunidades autossustentáveis e otras cositas más...

"as coisas pequenas vazam
choro por elas, uma noite talvez..."

versos da minha poesia - O que me pertence.

Deixo os e-books para o futuro e fico meditando os passos de Tolstoi...


Sinopse do filme - A ÚLTIMA ESTAÇÃO:
1910. Yasnaya Polyana é propriedade de Leon Tolstoi (Christopher Plummer), no entanto ele rejeita a propriedade privada e defende a resistência passiva. Por isto, apesar de ser um dos maiores escritores do mundo, alguns o vêem como algo maior, um santo vivo. Já bem idoso vive lá com Sofya Andreyevna (Helen Mirren), sua esposa. Tolstoi centra a atenção em espalhar sua doutrina com o seu melhor amigo, Vladimir Chertkov (Paul Giamatti), que funda o movimento mundial tolstoiano, cujo quartel general fica em Moscou. Lá Chertkov entrevista Valentin Bulgakov (James McAvoy), que, apesar de ter 23 anos, ambiciona ser o secretário particular de Tolstoi e consegue o cargo. Como Chertkov está impedido de ver Tolstoi, cabe a Bulgakov ir até Yasnaya Polyana e servir de ponte entre Leon e Chertkov. No caminho Bulgakov para em Telyatinki, uma comuna tolstoiana criada por Vladimir Grigorevich como centro do movimento. Lá todos são iguais, seguindo os ensinamentos de Tolstoi. No dia seguinte, Bulgakov chega em Yasnaya Polyana e sente logo que Leon e Sofya divergem bastante. Apesar dela não exigir ser chamada de condessa e Tolstoi, obviamente, não querer ser tratado como conde, há um ar aristocrático em Sofya, que há anos não aceita os objetivos do marido, desde que seu trabalho como novelista se tornou secundário. Após algum tempo, Chertkov vai até Yasnaya Polyana e fica claro que ele e Sofia se suportam (na melhor das hipóteses), pois ela acredita que existe um novo testamento, no qual seu marido cederia seus bens (inclusive os direitos autorais de seus livros) para o movimento mundial tolstoiano.