Tuesday, September 11, 2012

O Centauro no Jardim






O CENTAURO NO JARDIM
Sou uma esfinge
leoa-mulher
e amo
um centauro em um jardim.
Morreria por ele.
De herança:
minha pata-leoa.
minha mão escritora.
A mesma que tocou os cabelos
do mitológico ser
e o amou
um amor enjaulado
um amor siderado.
Dói amar um ser
que cavalga em poesia
que grita belezas no silêncio…
A esfinge se cala
e entrega
de mão beijada
o centauro amado
a quem jamais
o amou assim.
Bárbara Lia
(Leitura poética do livro O centauro no jardim, de Moacyr Scliar)


Há mais de dez anos uma poesia surgiu logo após a leitura do livro - O centauro no jardim - Não sei dizer qual livro vai gerar versos. A maioria se completa ao final da leitura, alguns ficam martelando dentro da alma, uma palavra, uma inquietação... A leitura só termina quando nasce o poema. Estes diálogos acontecem com filmes, com telas, com outros poetas. O centauro no jardim segue ilhado no jardim, não entrou em nenhum livro meu. Fico meses e até anos sem pensar no livro e na poesia e como um filho distante que chega sem aviso ele retorna: A visita nostálgica.