Sunday, November 18, 2012

AS LOUCAS


Mulheres comportadas raramente fazem história. (Marilyn Monroe)


O estranhamento que causa uma mulher que não segue o - Manual das Senhorinhas Bem Comportadas de Todos os Tempos - pode render um livro. Confesso em cadernos e arquivos word as minhas inquietações. Um livro inteiro tentando dizer - Livre não é louco, Livre é Livre. Muitas coisas em carrossel diante dos meus olhos, valsam veias, valsam íris, valsam dentro da alma. Quando as pessoas encontram alguém livre ficam procurando o adjetivo. Todo mundo pode ser nominado de tantas coisas... Você é carismática, você é forte, você é guerreira, você é corajosa. Ouvi muito pela vida, a necessidade de encaixar cada um em um lugar. Os manuais e seus conceitos. A sociedade e suas classificações. Há muito descobri que sou uma - desviante do sistema. Alguém que não segue o que está escrito. Gosto de ter este diferencial, mas, é preciso muito tutano e força e asas para seguir inteiro, algumas vezes recolhendo pedaços.
Ninguém diz diante de uma pessoa alada - Você é Livre.
Encontram outro título pra justificar todo espanto - Você é Louca.
Ouvi muito isto. Sigo louca (LIVRE) e tentando entender cada fala.
Uma mulher que não se enquadra nas normas vive quebrando tabus.
Meu caminho pelas vielas da paixão é um nó sem fim, pois eu não abro as portas para nada e ninguém. Só me dou a quem desejo e me atrai e diz bem mais que atração apenas e diz um mundo e diz um encanto e diz poesias em sua fala, figura, caminho, estampa, voz e verdade. Por isto, só me apaixono por caras feras, com carisma e força (já me enganei também e das poucas vezes que me enganei foi com uma categoria chamada - zen. quando um homem se disser iluminado e vier com este papo de alturas, caia fora. estes se acham acima do bem e do mal e brincam com as pessoas, por acharem que tem o direito de não se dar, afinal, são tão puros e tão altos e tão iluminados que estão ali apenas para serem amados, admirados, tocados... entendeu? fuja deles, prefira os malucos todos, os bêbados, os tortos. fuja dos santos de pau oco) e então eu fico nesta via de mortes e ressurreições. A única coisa que sei é que minha loucura me salva de ligações pífias, uniões por interesses que não seja em si o encontro e a entrega, me salva do tédio, de um novo casamento sem afinidade, de dias e noites pensando em artimanhas e em como sobreviver dentro deste jogo doentio que é realmente o que embala a maioria dos casamentos, namoros e etc. Não namoro - eu me apaixono. Não jogo, eu dou as cartas no jardim de Afrodite. Se sou louca, viva! Na reta final, qual um velho trem que dá seu último apito, atira a última fumaça ao céu, quero mais é a solidão dos dias em paz. Não fosse o velho bicho da paixão atrás da porta, debaixo da cama, ao telefone, naquele livro, naquele palco, naquela rua... A paixão. Ela é a dona de mim e da minha "loucura". E mesmo com o maior susto diante da liberdade minha, a paixão me puxa, a paixão me leva, a paixão me expulsa e um belo dia, ela volta... -