Sunday, March 31, 2013

sunset with the poet






LEQUE DE NUVENS PARA O DEUS DAS ONDAS


O leque de nuvens se reflete
na areia de mármore.
Alento de tarde pagã.



Distante, a carranca do deus das ondas
escureceu o mar.




O coqueiro se eriça.
Cais sobre mim




feito neve nos Alpes.
E a tarde abraça o nosso abraço.
Bárbara Lia
O sal das rosas
Lumme/2007











BRISA


Entardecer lilás
brisa de raro fôlego


do deus das nuvens.
Pés descalços


liberdade de estar amando
na era dos mísseis.

Bárbara Lia
O sal das rosas 
Lumme/2007









CONCHA ROSSA
Gosto dos sonhos feito filmes.
Peço aos anjos – Não me acordem!
Quero pisar algas, morangos, açucenas.

Leve flanar que só o sonho alcança.
Pensei haver sonhado aquele encontro
e raptei concha rossa naquela praia.

Dorme no meu quarto, na orla
do meu leito. Não foi sonho,
foi céu real. E o céu é eterno.
Bárbara Lia
-Revista Travessa dos Editores
edição de aniversário/2004






VIOLETAS BRANCAS


Sigo teus passos, feito asteca, sonhando
a terra eterna e rica – tua pele.
Pele de diários, onde leio a lua.
A maré suave que me enlaça nua,

écharpe de brisa e aurora, corais gris.
Adeus soledade de pedra. Paloma triste
em vôo riste, ao longe.
O deus-do-sol-do-meio-dia, colibri azul

da era atômica, é um sopro de luz e sons.
Sonhos delineados na tela fria.
O mundo sangra e transforma a garça

em íbis rubro. Leio um salmo antigo,
acordo em manhãs violetas. Tenho por companhia
um pequeno vaso de violetas brancas.
                                                                 Bárbara Lia - O sal das rosas - Lumme/2007