Sunday, April 21, 2013

Poe e The Following





Para quem ama Literatura e gosta de séries policiais - The Following - acenava como uma junção de paixões, que lentamente começa a esvanecer. As chamadas da série focando em Edgar Allan Poe e o enredo que se delineava nos primeiros episódios, atando cada passo do serial killer ao escritor, foi perdendo a cor e a forma e restou apenas uma série policial. Interessa prosseguir, pela série em si. Embora violenta demais. Embora eu deteste carnificina. Geralmente assisto Law & Order, pois nesta série não apresentam muita violência, tudo é mais focado no desenrolar da investigação e julgamento dos culpados. Em _ The Following - é preciso sangue frio. A série traz um Kevin Bacon maduro, maravilhoso em seu papel, mais lindo que antes. A mostrar que o tempo embeleza os homens. É isto. Ele é o agente do FBI responsável pela prisão do serial killer no passado, recebeu um tiro na ação, o que o obrigou a usar um marcapasso, e esta imagem de solidez e mistério somada à fragilidade dá um toque diferente à característica do personagem. É um agente que traz consigo uma espécie de maldição. Todos que ele ama, morrem. 
No início eu acreditei que teria belas cenas com poemas e referências de Alan Poe. Elas foram escasseando. Não tira o detalhe do enredo. O serial killer era professor de Literatura, apaixonado por Poe. Ele é preso e o agente escreve um livro sobre o caso. Ele decide que deve continuar a escrever o livro em parceria com o policial, foge da prisão e inicia o voo para a loucura. Insanidade é pouco para o que vem pela frente. Em resumo a sinopse apresentada quando a série surgiu é esta: "
Série escrita por Kevin Williamson -- The Following -- é um thriller policial que deixará seus nervos à flor da pele desde o momento em que conhecer Ryan Hardy (Kevin Bacon) e Joe Carroll (James Purefoy). 
Somente nos Estados Unidos há 300 assassinos em série em atividade. Já pensou se eles se comunicassem ou formassem uma aliança? O que aconteceria se ainda elegessem um líder? Conheça Joe Carrol, um dos assassinos em série mais carismáticos da história, o homem que há nove anos matou cruelmente 14 moças da Universidade da Virginia, onde era professor de Literatura. Ryan Hardy é um agente aposentado do FBI e foi escolhido para capturá-lo. Agora, ele terá que voltar à ativa para conseguir rastreá-lo para logo descobrir que diversos seguidores resolveram se unir a causa de Carrol."

Em resumo, os seguidores de Joe Carrol são apenas assassinos. Em algumas cenas do início da série as referências a Poe eram maiores. Na cena onde a garota encontra os policiais com desculpas sobre ter algo a dizer e deixa cair a roupa ao chão e todo seu corpo está coberto por frases de Poe, e ela se suicida ali mesmo. As referências na parede de uma casa onde viviam os seguidores de Carrol, citando nome das mulheres dos poemas de Poe. Um homem com a máscara de Poe assombrando a cidade. Tudo vai perdendo o foco e resta apenas aquela sensação de que o roteirista falhou ao tentar a junção dos personagens do seu enredo ao labirinto poético de Poe. Principalmente por ser a Escrita - a arte de fingir - o poeta é um fingidor. O Obscuro Mundo de Poe, isto sim é criação, recriação, potência de mente criativa. O que confunde e dá nó na cabeça de muitos leitores, admiradores, é não ter a noção de como pode ir fundo no inferno, ou como pode subir às alturas uma mente criativa, e com as palavras criar mundos, tragédias, voos, miragens, histórias. Ainda assim, sigo acompanhando - The Following - pois é uma série policial, e tem este componente drástico - um homem movendo mentes doentias - nada é como a gente pensa, nunca se sabe em que ponto do enredo vai aparecer um seguidor deste maluco de lugares improváveis, tão grande é a rede de pessoas desta seita. Seguir torcendo para que a fragilidade daquele Agente seja o componente de pureza que vai lavar todo aquele sangue, para que ele possa - finalmente - ficar com a amada, que - é claro - é a ex-mulher de Joe Carrol.

The Following  no Brasil está na Warner Channel, Kevin Bacon mais lindo e gostoso que nunca.  


Fragmento de - O corvo - Alan Poe, em tradução de Machado de Assis

Profeta, ou o que quer sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por este céu que além se estende
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais,
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!
E o corvo disse: "Nunca mais".