Wednesday, November 26, 2014

Respirar




Passei quase o ano inteiro em médicos, hospitais, meio a exames e uma enxurrada de remédios e nadando em dor, por conta de um machucado no meu pé direito. Quando li sobre os sintomas tardios da poliomielite, há algum tempo, nem sabia que breve sofreria impasses capazes de interferir na rotina. Com uma vontade ferrenha e por saber que os livros nascem como crianças, quando tem que nascer... Separei poemas e editei - Respirar. Foi o suficiente para tornar 2014 muito especial. Respirar é um lindo livro e estou bem feliz por esta epopeia poética embalada em minaretes azuis. Espero que em 2015 eu retome o ritmo da Literatura e que consolide este momento em que minha saúde se recupera. Sem mais dores. Que os anjos digam - Amém!
Respirar tem 124 páginas e imprimi apenas 100 exemplares. Qual meu primeiro livro em 2004, aliás, Respirar nasceu para celebrar dez anos de edição de livros. 
Digamos que este ano foi uma trégua para uma guerreira. Hoje ao preencher uma página inteira com um texto de deve engendrar um novo romance, respirei... Respirar! Escrever! Um novo livro vai nascer...
Se eu voltar apenas em 2015 é por um tempo merecido de passagem. Das muitas dores, remédios, etc. para retornar ao tempo poético da criação. Não, eu não escrevi sobre esta dor. Eu não escreverei sobre ela, quiçá nem sobre outras dores de 2014. Quando Manoel de Barros morreu, bateu uma nostalgia do Paraíso. De estar naquele espaço onde o olhar não se contamina. E não quero contaminar-me, apenas abrir os olhos de névoa lavados, atravessar o finalzinho deste túnel e voltar a colher as flores da Poesia. A estrada é longa, intensa, extensa, pontilhada de palavras, e eu as amo, desesperadamente.