seis da manhã de domingo. nunca acordaria naquele horário não fosse a enorme lua cheia lá fora. majestade, dando ordens por trás da vidraça. com tanto sono entre os cílios, difícil acreditar que fosse mesmo a lua. quase um grito. abriu os olhos e virou o corpo, atendendo ao chamado. sem domínio nenhum sobre os lábios, sentiu o sorriso dado em oferenda. travaram uma espécie de conversa mágica. a hora morta. e foi aí que o dia nasceu. ficou decretado que os dias só nasceriam após o sorriso de um artista.
Wednesday, March 26, 2008
LINDSEY ROCHA / Porão Loquax - 25/03
seis da manhã de domingo. nunca acordaria naquele horário não fosse a enorme lua cheia lá fora. majestade, dando ordens por trás da vidraça. com tanto sono entre os cílios, difícil acreditar que fosse mesmo a lua. quase um grito. abriu os olhos e virou o corpo, atendendo ao chamado. sem domínio nenhum sobre os lábios, sentiu o sorriso dado em oferenda. travaram uma espécie de conversa mágica. a hora morta. e foi aí que o dia nasceu. ficou decretado que os dias só nasceriam após o sorriso de um artista.
LUCAS HASS CORDEIRO
Perfurada, grudada ao lixo mais sórdido
HAMILTON DE LÓCCO / Porão Loquax
HAMILTON DE LÓCCO
Monday, March 17, 2008
POESIA NO TEATRO DA UNINTER

Wednesday, March 12, 2008
O SAL DAS ROSAS
| Meu livro de poesias - O sal das rosas - Lumme Editor - 2007, está em dois pontos, além do site da Lumme, pode ser adquirido na Livraria Cultura e Susan Bach Books From Brazil. Susan Bach Books From Brazil Rua Visconde de Caravelas nº 17 22271.030 - Rio de Janeiro - RJ fone (21) 2539.3590 fax (21) 2527.6940 http://www.sbachbooks.com.br/ Livraria Cultura www.livrariacultura.com.br |
EU TAMBÉM CAMINHAVA ASSIM TÃO DISTRAÍDA
UMA VALSA COM CONRADO MOSER

No interior da Igreja Matriz de Peabiru as esculturas de Conrado Moser. Conrado vive hoje em Treze Tílias – SC. O tio dele também era escultor e a casa onde ele vivia tinha uma escultura de uma sereia na varanda e a divisória da varanda era um pequeno exército de peixes enfileirados. Na formatura do ginasial ele me ensinou a dançar a valsa. Meu irmão foi o meu padrinho, mas, o cara querido que ensinava as meninas a dançarem a valsa era o Conrado. Afastávamos as carteiras e ele nos ajudava a enfrentar o baile, a emoção da primeira valsa. Eu tinha 14 anos e minha primeira dança foi na sala de aula, com um artista de alma lírica que eu nunca mais vi. A poeta, o escultor, uma valsa, quase-infância. |
UMA MENINA ME LEVA PELA MÃO
Monday, March 10, 2008
DE SILÊNCIOS E PARTITURAS
“Os grandes poemas ainda permanecem inéditos
e as grandes palavras dormem nas línguas secas”
(Jorge de Lima – Mira-Celi)
Poesia é música. Pensar que a primeira “partitura” foi escrita em Erech, na antiga Mesopotâmia. Pensar que o nascimento da escrita propiciou ao homem colher o belo e torná-lo arte em forma de palavras. Pensar que em cada poesia existe um ritmo de sangue e sol. Pensar que alguns amores são leves colibris em varandas brancas, outros são uma ópera rock sangrada, uma revoada de corvos ao som de Iced Earth e seu holocausto dos anjos. E quando se busca em outro lugar e nas alturas um sentimento que não é nosso, voam flamingos sobre belos lagos africanos, e vestidos rodados valsam salões de Viena.
A poesia e a música, para mim, são siamesas. Mostram o ritmo da vida, o silencioso rio vermelho das veias, o tamborim alucinado no peito. A vida segue rendada de tangos, sambas, salsas e blues. O som puro da beleza costurando manhãs de delicadeza.
BÁRBARA LIA
Wednesday, March 05, 2008
ARTE DO CHÁ
ainda ontem
convidei um amigo
para ficar em silêncio
comigo
ele veio
meio a esmo
praticamente não disse nada
e ficou por isso mesmo
PAULO LEMINSKI
Friday, February 29, 2008
Saturday, February 23, 2008
ABRELATAS - WONKA BAR

UM TANGO COM DEUS
tranquei os covardes na sacristia
e explodi o templo
desci a rua de pedra rasgando em fúria
os ídolos e seus pedestais
as estátuas e seus ancestrais.
tranquei os covardes na sacristia
e tombei as torres áridas
que nunca chegarão ao céu
e impedem o tráfego
da poesia & pássaros.
tranquei os covardes na sacristia
guardei nas dobras da alma
os que amo e são meus,
na clareira incendiada de papoulas
dancei um tango com Deus.
BÁRBARA LIA
Mais fotos da noite do lançamento da Revista AbreLatas
- Palavras Todas Palavras - um outro espaço onde escrevo
onde fui batizada - Palavreira da hora.
http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/
.- todas as fotos da noite AbreLatas são do jornalista
Gustavo Henrique Vidal.
Friday, February 22, 2008
UM AMIGO É UMA PONTE
PRIMAVERA DESFOLHADA
p/Clifton Giovanini
De uma ponte de suicidas
surgiu o nome do poeta
que na Ilha do Mel
filosofou com astros
e na minha sala
derramava o século XIX
- cartola e fraque
e sorriso maroto -
Sempre trazia chocolate
e uma dama à tiracolo
histórias de noites
vagando entre túmulos
(hobby à
e planos de rasgar o sul
nos trilhos.
Agora, ele escreve fumando narguilé
batucando a velha Olivetti
diante da catedral gótica.
Meu amigo medieval
ponte de ternura rara
exilado em um lugar
onde a neve cai ao sol
onde ele não esquece
nosso carinho repartido.
Agora, vai descrever as pedras da catedral
com ternura embriagada,
breve, vai ultrapassar a soleira em luz
garrafa de vinho em uma das mãos
uma chama de vidro no coração
e no rastro
uma primavera desfolhada.
BÁRBARA LIA
- A última chuva -
(ME ed. alternativas - 2.007)
Jarro arcaico vermelho
A morte constrói montanhas
De pano. Sonhos de
Bela criança
Paisagem de setembro
Desenhos do artesão. (Thomas Gabriel, 2.002)
O Clifton, meu amigo querido, nasceu no mesmo dia que minha filha mais velha, temos uma afinidade enorme, estas ligações tecidas nos astros. No meu livro - A última chuva- publiquei uma poesia que escrevi no tempo em que ele foi viver em Vacaria, e me contava que escrevia diante de uma catedral gótica, e me contava da neve e da dificuldade de estar longe, em uma cidade pequena. Agora ele vive em Santa Catarina, e ontem encontrei uma poesia que ele enviou cinco anos atrás... A minha curiosidade quis descobrir o que significa o nome dele, logo que o conheci. Existe uma Ponte Clifton nas proximidades de Bristol. No século XIX, tempos duros para os ingleses, era conhecida como a ponte dos suicidas. A prefeitura pagava um barqueiro para recolher os corpos dos suicidas pela manhã. Era um tempo difícil e quem não tinha emprego e não encontrava saída se atirava da Ponte Clifton. Hoje, outros tempos, ela é utilizada por esportistas que praticam body jump. Fui procurar uma imagem da Ponte Clifton e encontrei mais que isto, encontrei um site de Bristol que mostra a Ponte por inteiro - 360° - e em diferentes momentos - north side, south side, sunset, dusk, night...
Um amigo é mesmo uma ponte. Os que eu mais amo tem sempre uma ponte no nome, ou ao lado... Ou uma ponte imaginária, de rosas, ou nenúfares... pontes de pássaros, de gôndolas... de mãos estendidas... Passeando pela ponte Clifton, pensando nos amigos...
...
O e-mail antigo, um poema do amigo:
...
que a lua não enregele seus dias de ópio
e o medo da morte não desperdice o lento caminhar
se o gelo das altas madrugadas fazer-te esquecer da vida
esquecer das dores, esquecer da fadiga de dormir
para logo mais acordar...
ainda restará uma xícara de café quente sobre a mesa
e um pedaço de pão
e um papel amassado
e a reclamação de um filho que ainda não se foi.
Cllifton Giovanini - 24/02/03
visão panorâmica da Ponte Clifton:
http://www.panavista.eu/#7.12.0
Thursday, February 21, 2008
SIDNEI SCHNEIDER
À MODELO-VIVO
quisera ser um pintor,
com o que ficavas aqui,
para sempre do meu lado.
porém nada sei de tintas,
não, sequer sou o escritor
capaz de fixar tua pele.
palavras não reproduzem
os óleos de tua vagina,
o que de grego nos seios
e na mente tu carregas:
contra a morte do tempo,
tua eternidade de rio.
.
Sidnei Schneider, 1999.
- Sidnei Schneider
- Local: Porto Alegre, RS, Brazil
www.umbigodolago.blogspot.com
Monday, February 18, 2008
Sunday, February 17, 2008
ABRELATAS - LANÇAMENTO
Imagens da noite do lançamento da Revista Abre-Latas. A apresentação do editor Gustavo Soares Lima (de boné), a platéia (O Rettamozzo concentrado ali, de camisa azul) e o debate que antecedeu ao recital - o Poeta J. B. Vidal do site Palavreiros da Hora e o editor da Revista Abre-Latas, Gustavo.
- Fotos: Gustavo Henrique Vidal
LÍRICA & PROFANA


ALONE - Toulouse Lautrec
Ontem, no extracéu, tomamos chá de anis,
Diante de um poente branco.
No extracéu não há noites e pássaros pousam
Em nossa janela, enquanto tecemos mantos.
Você sorri, mais do que sorris agora, e estrelas
Fogem do céu-matéria para matarem a saudade
Do teu belo riso italiano.
Vez ou outra congelamos uma estrela fugidia
E a colocamos na parede de nossa sala.
BÁRBARA LIA (O sal das rosas - Lumme editor-2007)
PROFANA
A cor do amor é branca,
e o amor tem uma covinha do lado direito do rosto
e o amor me olha como alguém
que jamais vai tirar a minha calcinha
e gozar o céu dentro de mim.
O amor sempre vai me olhar
como se eu estivesse num altar de papel.
Para o amor, eu sou uma rima
e rima não tem vagina.
Para o amor, eu sou uma ode
com uma ode ninguém fode.
Eu sou um verso alexandrino
jamais tocado pelo herdeiro deste nome.
Eu sou a palavra, e a palavra, a palavra é Deus
Deus ninguém come, mas,
será que beber
pode?
MARCELO ARIEL
Imagino Camões, a vala onde o morto estava;
O quarto onde encontraram o cadáver de João Antônio;
O sapato que Antonin Artaud segurava;
No paletó de Garcia Lorca a flor intacta;
A cama molhada de suor do último sono de Caio F.;
O prato vazio que caiu das mãos de Óssip Mandelstam;
Os círculos na água provocados pelo corpo de Paul
Celan...
Devo parabenizá-la por estes momentos de uma estilística
sempre surpreendente,
somente às vezes ofuscada pelos lampejos precários desta
luz fraca que caminha nas capas...
ME ENTERREM COM A MINHA AR15 -
MARCELO ARIEL - Santos (SP)
- Dulcinéia Catadora 2007 -
dulcineiacatadora@gmail.com
sobre a ed. dulcinéia catadora:
http://www.meiotom.art.br/evelitedulci.htm
Friday, February 15, 2008
STELLA DE RESENDE

A semana toda,
a máquina de escrever
sobre a mesa,
nenhum toque
nenhuma visita
nenhuma carta.
A remota lembrança
de seu aniversário.
A única companhia
foi uma lágrima de rímel.
Nem tudo que parece
às vezes tece.
A poeta Stella de Resende é irmã do poeta Rollo de Resende. Vive em Curitiba. Professora de crianças com necessidades especiais.
- A foto é de Ana Mestre - O Alentejo lá fora.
http://olhares.aeiou.pt/utilizadores/detalhes.php?id=32802
La nave va...
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura
"Não o convidei ao meu corpo" no Canal Senhora Literatura da escritora Francine Cruz. https://www.youtube.com/watch? v=IxpCcdUM7...




