Thursday, April 14, 2005

mãos de abrir nuvens







Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.

- Alberto Caeiro
(O guardador de rebanhos)



MÃOS DE ABRIR NUVENS

-Bárbara Lia.


Ter mãos de abrir nuvens
Romper o velcro de baunilha
E espiar
Dentro a catedral
Dos sonhos
Um rito de encanto
Crianças e lagos
E mapas emaranhados
A Sexta Avenida

deságua no Eufrates
E as barcas cruzam
De Bagdad ao Mojave
As mãos se enlaçam
Negras brancas
Amarelas azuis.


Ter mãos de abrir nuvens
Descobrir a alma de neve
E perfumes
Que se fazem
Pássaros
Camelos
Bailarinas.


Quem possui mãos de abrir nuvens?
Quem rega pedras
E pesca pássaros
Em tempestades
E ancora no alto
Da montanha mais alta
Suas caravelas.


Quiçá Penélope,
Sem manto, grilhões, espera.
A abrir nuvens
Além da torre de concreto
Em pleno azul
Entre a brancura espumada.
Mãos de mulher livre
A abrir o velcro
Da humanidade encantada.


- Blog é diário. Mesmo que de forma poética, o chá para

as borboletas é um diário.
Aos poemas eu aceito críticas - desde que assinadas.
É preciso coragem. E só eu sei o preço que se paga por ela.
Então - sejamos corajosos!
Faz bem à saúde e fortalece o coração, traz um ar de liberdade
muito precioso...
Se pensar incomoda como andar na chuva, como diz Fernando
Pessoa, coragem incomoda muito mais.
Ser corajoso é enfrentar o furacão. Mas, sair de mil
furacões ilesa, assinando embaixo, isto é previlégio de
mulheres que tem mãos de abrir nuvens e plantar flores em
pedras.



imagem - cartier-bresson