Sunday, July 17, 2005

SEGUNDA MORTE



O pelotão avança, cascata de passos
Em adágio, botas resvalando relva.

Coração acelera. O homem calvo cobre
Meus olhos. Aguardo o fim.

Lembro negro olhar em chamas, encanto.
Fatal certeza... Morrer? Já morri por ti.
Bárbara Lia


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Em janeiro vivi uma emoção muito bela quando estive na Casa de Cultura Mário Quintana, em Porto Alegre. Agora o Sidnei Schneider, poeta de Porto Alegre, me conta que vai ler três poemas meus e três dele no Recital da Casa de Cultura Mário Quintana neste domingo. O poema acima, Transparência e Concha Rossa. Estas horas de cálida ternura é que ponteiam a minha estrada, a rota, a travessia. Meus poemas lidos no sul, ter os filhos mais tempo em casa por causa das férias. A felicidade é feita de milionésimos de segundos. Mano Melo terminou o poema - A moreninha- que escreveu para mim com uma frase tal qual esta...
"...a eternidade é feita de milionésimos de segundos"
Esta feliz eternidade destes milionésimos de segundos, que são a notícia do recital, os beijos a mais que tenho nas manhãs, já que o Thomas está de férias e a Tahiana acorda com cara de gatinha dengosa, e na noite eu tenho a companhia da Paula, que ri muito vendo tv e eu fico aqui do quarto ouvindo a gargalhada dela e pensando, em milionésimos de segundos que tenho desta eterna felicidade. De ser poeta - mãe e amiga de pessoas eternamente belas...


photo by Hartmuth Tobies