Friday, July 15, 2005

cinéfila - bom dia noite





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BOM DIA NOITE

Há alguns anos fui em uma tarde de domingo ao Cine Luz. Gratas surpresas e emoções vividas ali, e uma delas foi Juliette Binoche no filme – A Liberdade é Azul, de Kyalowski. Eu sai do cinema sob o impacto da arte de Juliette e ela passou a ser admirada por mim, bem antes do Oscar. Ontem eu sofri o mesmo impacto, no mesmo cine, diante de Maya Sansa. A atriz italiana que interpreta a guerrilheira Chiara do filme “ Bom dia noite”. Esquecendo o julgamento histórico e o drama do sequestro de Aldo Moro, o filme revela a arte de Maya, e a bela trama dirigida por Marco Bellocchio, choca. A semelhança do ator Roberto Herlitzka com Aldo Moro e a condução da história conseguem transformar a maratona densa de seqüestradores confinados, em um filme que merece ser visto. Acreditando ser recurso de cinema terem colocado uma tão bela atriz para interpretar Chiara, fui buscar os fatos, os mesmos que prendiam minha atenção diante do noticiário quando ocorreu o seqüestro de Aldo Moro. A militante mulher que era integrante da Brigada Vermelha – Ana Laura Braghetti – é o retrato de Maya Sansa. Foi ela que forneceu, na história real, a própria casa – via Montalcini 8 – para a prisão de Aldo Moro. O filme conta os 55 dias de confinamento de Aldo Moro, pela visão de Chiara (Anna Laura), baseado em depoimentos de Anna Laura, que conseguiu liberdade condicional em 2.002. Uma pequena burguesa, uma funcionária que saia ao trabalho, enquanto seus companheiros ficavam em casa com presidente da Democracia Cristã da Itália. Assassinado pelo grupo ao final de uma história que incluiu o Papa Paulo VI se propondo a se por de joelhos diante dos seqüestradores. Nenhuma reivindicação do grupo foi atendida, Aldo Moro - executado. Anna Laura Braghetti, uma mulher nascida em Roma, que tem apenas dois anos a mais que esta poeta, acreditava na luta do movimento que se envolveu – Brigate Rosse – Brigada Vermelha, que por um erro de tradução aparecia na legenda ora como BV, ora como BR. Como demonstra o filme, o livro que foi escrito por ela narra exatamente o que as telas tentaram mostrar - a passagem para o arrependimento diante da morte de Aldo Moro - Para mim revelou uma interpretação que relembrou Juliette Binoche, um olhar onde se pode ler inúmeras mensagens. Interpretar, sem dizer.
Bom Dia Noite, o título do filme faz referência a poema homônimo de Emily Dickinson :
Bom dia noite/Estou voltando a casa/O dia se cansou de mim/Como poderia eu dele.
- o livro - Il Prigioniero - escrito por Anna Laura Braghetti e a jornalista Paola Tavella, deu origem ao filme.