Thursday, August 25, 2005

sinais

Tempo de girassóis... Sem saber que estou retirando do baú uma história que começa na noite em que fui até a Livraria Arcádia ver Ia Santanché no espetaláculo "O consultório do Dr. Gachet", baseado nas cartas de Van Gogh a Theo, que gerou uma correspondência muito linda com a atriz e bailarina Ia Santanché, e um romance que estou reescrevendo, a Cris me presenteou com um girassol.
A vida é feita de ciclos, os últimos anos foram de aprendizado e susto. Agora é tempo de priorizar a arte, como Van Gogh pintar muitos quadros, enlouquecer de girassóis, noite estrelada e campos de trigo. Virginianos são estranhos. Gostam de tudo no lugar. Eu vivo arrumando a toalha no banheiro, dobrando as roupas dos filhos e desvirando os tênis, essas coisas meio estranhas. A beleza é tudo o que interessa, como na outra tarde em que passeava pelo bairro, e as quatro estações me abraçaram em uma única rua. A chuva de painas - neve curitibana, algumas folhas do outono na calçada, os ipês que floriram antes da primavera, um sol de verão na pele. Quatro simbolos em um único instante. Um sinal de que tudo virá neste novo ciclo, que me fêz acordar antes do sol, nesta primeira manhã dos meus cinquenta anos. Os sinais me seguem. Na tarde de ontem, o sol que adormece do lado de lá, jogou fogo sobre nuvens espessas, da janela eu vi um lençol róseo de paixão acima de mim. Gosto dos simbolos.
Bia chegou com um livro do Kafka - lindo - contos, e entre eles A metamorfose e A colônia penal.


AS ÁRVORES (Franz Kafka)
Porque somos como troncos de árvores na neve. Aparentementem apenas estão apoiados na superfície, e com um pequeno empurrão seriam deslocados. Não, é impossível, porque estão firmemente unidos à terra. Mas atenção, isto é pura aparência.