
FLORES DE GELO
Vivo a melancolia dos evangelhos.
A cruz que crava a palma feita
para escrever o belo.
Sol incinerado, meu corpo fixo
na claridade difusa,
exalando um perfume de abismo.
Meu ramo de noiva
-amapolas mortas-
Minha grinalda
-flores de gelo-
A alquimia extrema
da minha alma, que apavora,
espanta o amado,
cessa seu passo
no pórtico do impossível.
Bastava um passo.
Um passo.
Passo.
Bárbara Lia.