Tuesday, November 15, 2005

deus no orvalho





















Vou pintar os cabelos e comprar uma roupa de sol.
Eu - Tahiana, de rosa- Paula, de azul.
Rosas vermelhas que minha mãe cultivava.
Duas meninas gulosas comendo gelatina.
Rosas segredavam coisas que eu jamais sonharia...

há quem diga que as rosas não falam...




DEUS NO ORVALHO
(para Jorge Luiz Borges)




Jardim perfumado de Istambul.
Sol intolerável beija a rosa azul
no vaso branco, dois cães cor da lua
ao redor.
Teus olhos se perdem na rosa nua.
Olhos da cor do Mar Cáspio na aurora.
Gota de orvalho baila na pétala.
Cristal.
Ponto no espaço – Aleph
descortina o universo.
Sonhos enxertados de sóis, desertos,
aromas, fauna, primavera, borrascas.
Todo universo na gota clara
que cobre a rosa. A lágrima desce solar
ao lábio carmesim, e o peito arde de amor e luz.



Bárbara Lia