Saturday, September 02, 2006

darwich














Mahmoud Darwich - poeta palestino (1.942-)

- Na noite de poesia e música árabe, lerei poesias de Mahmoud Darwich, e o escasso tempo nestas semanas, deixou em suspenso a tradução de uma poesia - O inverno de Rita - Rita, a amada judia de Darwich, um longo e belo poema, com um fragmento abaixo. Esta poesia não irá ao recital, quem sabe em uma próxima noite.
O Diwan (lugar onde a poesia se reúne, ou recital - em árabe), será uma noite de revelação da cultura árabe, de poetas e escritores contemporâneos. Evento possível graças à disposição de Michel Sleiman em acessorar de longe os preparativos, e à boa vontade do jornalista Omar Nasser, e dos membros da Sociedade Beneficente Muçulmana do Paraná, ao sim que me foi dado pelos convidados, mesmo os que não puderam aceitar meu convite por conta de seus trabalhos, me apoiaram de outras formas. Dia quatro, o evento, com o apoio da Sociedade Muçulmana, da Igreja Cristã Ortodoxa São Jorge de Curitiba, e do Instituto da Cultura Árabe de São Paulo.


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.www.icarabe.org
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O inverno de Rita (fragmento)
...minha linguagem é feita de fragmentos
semelhante ao pensamento de uma louca, e dos cavalos que se suicidam
no final do hipódromo.

Rita bebe o chá matutino
e a primeira maçã com seus dez lírios
Me diz:
Não leia agora os jornais, os tambores são os tambores
e a guerra não é meu ofício. Eu sou eu. Tu és tu?
Eu sou
o que te vê qual gazela atirando suas perólas
o que vê seu desejo correndo atrás de ti qual torrente,
o que nos vê perdidos em unicidade sobre a cama
e em divergência, como a despedida dos desconhecidos no porto. O exilio nos leva
em seu vento, como folhas, e nos atira em hotéis de estrangeiros
como cartas lidas depressa.
Me levarás contigo?
Serei o anel de teu coração despido? Me levarás contigo?
Serei teu traje em países que te criaram para derrubar-te
serei um cofre de boa erva que levarás em tua morte
e tu serás meu, vivo ou morto.
O guia está perdido, Rita,
E o amor, como a morte, é uma promessa sem devolução ou prazo de validade.

Rita me prepara o dia
qual perdiz que ondula acima em seus sapatos de salto alto.
Bom dia, Rita,
e nuvens azuis para os jasmins de tuas axilas.
Bom dia, Rita.
e frutas para a luz da manhã. Rita, bom dia.
Rita, retorna a meu corpo para que as agulhas
dos pinhos descansem um pouco em meu sangue abandonado. Sempre que
abraço a torre de marfim, fogem de minhas mãos as pombas.
Ela diz: Regressarei quando os dias e os sonhos mudarem. Rita. É longo
este inverno e nós somos o que somos.
Não tome palavras para dizer
eu sou,
essa que vendo-te pendurado em uma cerca, abaixou-se junto a ti e vedou tuas feridas.
Com sua lágrima te lavou, antes de cobrir-te de açucenas,
e passastes entre as espadas de seus irmãos e a maldição de sua mãe. Eu sou eu e ela.
Porém tu és tu?
...
Mahmoud Darwich
(tradução para o espanhol - Maria Luisa Prieto - para o português - Bárbara Lia)