Tuesday, September 05, 2006

uma nuvem na minha mão

Rouca de aulas e recitais, sem voz, mas sabendo que poemas devem estar ainda valsando as paredes enormes do local do recital. Percebi esta noite de ontem em mim um horizonte aberto. Lembrei de aconchegantes concertos de palavras, as noites do porão, as poesias dos bares. Ontem, foi uma experiência diferente, miscigenada com outra cultura, com um enredo de areias e algumas lágrimas, com erotismo que valsa no sangue árabe, com poetas de várias idades e raças, com música de alaúde e com direito a uma elegia escrita pelo sheik para a primeira família assassinada no Libano, neste último confronto. Noite árabe, de quem se dispôs a enfrentar a fria noite e ouvir o som das cordas santas, dos poços com lua dentro, da poesia flanando entre trevas e poeira. Beirute - flor sonora.
Breve terei as fotos da noite de poesia e música árabe na gelada noite de quatro de setembro.





UMA NUVEM NA MINHA MÃO

... O lugar estava preparado para seu nascimento: um monte
feito com o manjericão dos avós, dando a leste e oeste. E uma oliveira
perto de outra nos livros sagrados, a elevar os limites da língua...
e fumaça lápis-lázuli a arrumar este dia por algo
que só interessa a Deus. Março é criança
mimada. Março espalha algodão nas
amendoeiras. Faz banquete da malvinha para o pátio das igrejas.
Março é terra para a noite das andorinhas, e para a mulher
prestes a dar o grito nas pradarias... e estender-se nos
carvalhos.
MAHMOUD DARWICH (fragmento de um dos poemas de ontem)