Wednesday, December 06, 2006

MARCO 2.006 - A BIODIVERSIDADE





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Ter a coluna semanal no site do jornalista Ricardo Faria "Vejo São José" foi a ponte para o evento da ONU COP 8- Convenção sobre Biodiversidade, que permitiu algo nunca sonhado, conhecer os bastidores das discussões sobre o Meio-Ambiente no Planeta, e o susto, e o útero da terra remexido e a dança das tribos na abertura do evento, e estar diante do aço de candura que é Marina Silva, e percorrer as trilhas da desumana rota, constatar que são os africanos as cobaias dos grandes países, em tecnologias contestadas por ONG's, cientistas e pessoas que lutam pelos Direitos Humanos. Ouvir Leonardo Boff e sua certeza que de tão simples ninguém ouve, que de tão humano foi banido pelo Vaticano. Certa vez em um programa da rede educativa, logo após a escolha do cardeal Joseph Ratzinger para ser o novo Papa, alguém comentou que Boff só não foi queimado em uma fogueira por Ratzinger, pois vivemos em tempos em que gritam pelas árvores, os ecologistas não permitiriam que se queimasse uma árvore para matar o Frei. O atual papa foi o responsável pela expulsão de Frei Leonardo Boff da Igreja Católica, por ser um dos religiosos da América Latina a trazer Deus para o chão, através da Teologia da Libertação. Naquela tarde, naquela tenda branca e rústica, ouvindo as palavras de Boff, a vida caiu nova em mim, semente de belezas que nem um poeta consegue escrever, que somos todos vindos do mesmo átomo e tão donos da mesma esperança e partilha, e que não há mesmo como ser feliz depois de ouví-lo e nem de ser infeliz depois disto. É como esta tarde e a tempestade, cada gota um ser, ali, caindo - gota de tempestade - tua vida. E você tivesse que colhê-la e cuidar dela, sabendo que só ela, sem trilhões de pingos ao redor, não seria esta vida líquida que cai. É sem alarde que as belezas nascem, rompem a terra, e crescem. A raíz aquecida dentro, como a parte-tesão-carne do homem dentro do delta-vulcão da mulher. Como a raíz no solo, como a vertente invisível das águas, o primordial existe, ninguém vê, ninguém sabe, no entanto, existe e é o que nutre, o que leva ao éden, o que nos coloca em cada amanhecer diante da realidade de ser um entre tantos e vários, pés pousados nesta Terrazul de estonteante beleza, ela que navega o infinito e nos leva, e carrega e nos acolhe, não tolhe, e é ela que está sendo sugada, toda inteira, às entranhas...