Saturday, February 10, 2007

LUIS SERGUILHA







Xanana Gusmão
- O Mandela de Timor Lorasae _





E há um povo que morre arrepio viajante membro empapado de
jornais
num torno perfeito num círculo perfeito como a ratoeira de algodão de
Hiroxima
Simplesmente polvo nauseabundo rédeas amputadas no recado
do esqueleto
Razão dos passos lentos no enfarte da sirene alvos congelados no
solfejo dos ditadores

Uma meretriz montada no chacal no lombo perpétuo da hiena
como salvadora da montanha numa gulodice esboroada
E o Maubere resiste ao entulho das dentadas à consolação da lama
na calcária tapada
porque a alma ninguém mata Suai dos poetas ouvido desatado
porque a clareira embala a distracção do pombal a lua aveia

A sequência pura das veredas nos primeiros trampolins das
margaridas
E a sede um dia será retracto oceânico a abocanhar as fontes mamíferas
E a infância dilatará o crepúsculo filiforme a corola do pau enraizado
O suor das plantas no grande discurso da catedral doce será o
esplendor das esfinges incessantemente túmidas nas delícias
inesperadas.
LUIS SERGUILHA
Lorosa'e Boca de Sândalo(Campo das Letras - Editores S/A - 2.001)